domingo, 28 de novembro de 2021
O despovoamento da aldeia mais portuguesa de Portugal
segunda-feira, 8 de novembro de 2021
8000 Capas únicas para a Eye 94
No 1oº Encontro de Tipógrafos, que aconteceu em Matosinhos, conheci o trabalho do Estúdio de Design Britânico MuirMcNeil fundado pelos designers Paul McNeil e Hamish Muir, ambos com portfólios impressionantes e expansivos em tipografia/design gráfico, adquirindo uma abordagem inovadora e única para criar a sua própria linguagem visual.
Neste encontro, o Designer Hamish Muir, apresentou o projecto para a capa Eye Magazine nº 94.
Estes designers desenvolveram um método sistemático/algorítmico para criar 8 000 composições únicas utilizando os sistemas modulares tipográficos TwoPoint e TwoPlus.
TwoPlus
é um sistema modular tipográfico e surge como
desenvolvimento do sistema TwoPoints, elaborado pela dupla em 2014. No TwoPlus
as letras individuais operam como componentes variáveis dentro dos sistemas
visuais diferenciais. Os caracteres são projetados para interagirem entre si e
com os da TwoPoint, oferecendo uma enorme variedade de possibilidades visuais.
As letras e e Y foram compostas usando fontes da coleção TwoPlus
A capa e contracapa do Eye 94, é um dos 8 000 diferentes grafismos numerados e impressos numa impressora HP Indigo 10000 utilizando HP Mosaic, um software que gera automaticamente um número ilimitado de módulos exclusivos com base num padrão fixo. Esse padrão é o elemento central do processo. A tecnologia HP Mosaic usa um algoritmo para criar módulos baseados neste padrão.
Para originar o padrão base, Hamish Muir produziu uma série de composições onde as letras e e y são compostas utilizando as fontes da coleção Two Plus, a palavra "eye" é repetida em incrementos fixos e deslocada em três camadas para formar uma matriz de formato quadrado, e cada camada é definida numa fonte diferente dos tipos de letra TwoPoint e TwoPlus.
Apartir deste padrão original os designers utilizaram cerca de 76 espessuras de fonte em cada uma das três camadas, deslocadas lateralmente em distâncias proporcionais ao tamanho e espacejamento das letras.
Para estabelecer uma gama de variações visualmente coerente em todo o sistema, definiram uma série de parâmetros dentro dos quais, o software Mosaic da HP foi usado para dimensionar, rodar, alterar a paleta de cores, posicionar e cortar secções de cada padrão. Duas destas secções foram escolhidas, cortadas, e posicionadas no layout das capas para finalmente procederem à produção das 8 000 capas e contracapas numeradas com saídas de design exclusivas. Assim, cada revista tem um número de série gravado na capa, adquirindo importância de um objecto único.
segunda-feira, 18 de outubro de 2021
Louise Bourgeois - “Ode ao Esquecimento”
Louise Bourgeois, 1911-2010
A escultora surrealista foi uma das mais importantes artistas
americanas do final do séc. XX e do séc. XXI. Semelhante a outros artistas
surrealistas, ela canalizou a sua dor para os conceitos criativos da sua arte.
A família da mãe veio de Aubusson, região da tapeçaria
francesa, e os seus pais eram proprietários de uma galeria de tapeçaria na
época do seu nascimento. Louise enquanto criança viveu a maior parte do ano,
num apartamento por cima da loja onde os seus pais vendiam tapeçarias, e aos
fins de semana iam para a galeria onde restauravam tapeçarias antigas, e aí ajudava
a lavar, a reparar, costurar e a desenhar, sempre supervisionada pela sua mãe,
com quem tinha uma proximidade muito grande.
Louise foi muito influenciada pelos acontecimentos
traumáticos da sua infância, pela infidelidade do seu pai com a sua ama, e pela
ida do pai para a guerra, deixando a mãe muito ansiosa. São estes
acontecimentos que mais tarde viriam a formar a sua arte altamente
autobiográfica.
Louise Bourgeois é conhecida pelo seu conteúdo temático
altamente pessoal envolvendo o desejo inconsciente, sexual e do corpo. As suas
emoções eram usadas como matéria-prima para a sua obra, a temática era baseada
em eventos da sua infância e ao apropriar-se da arte realizou um processo
terapêutico e de libertação, as suas experiências foram transformadas numa
linguagem muito visual através de imagens mitológicas, utilizando espirais,
gaiolas e utensílios médicos.
As suas famosas esculturas de aranhas simbolizavam a psique feminina
e a dor psicológica.
Numa entrevista, a artista explicou a existência de um duplo tema no caso das obras que representa a aranha: “A aranha é protetora, a nossa protetora contra os mosquitos. […] A outra metáfora é que a aranha representa a mãe. A minha mãe era a minha melhor amiga. Ela era inteligente, paciente, tranquilizadora, delicada, trabalhadora, indispensável e, sobretudo, ela era tecelã – como a aranha. Para mim as aranhas não são aterradoras.”
Embora seja mais conhecida pelas suas esculturas, desenhos e
gravuras, Bourgeois também fez livros ilustrados a partir do final de 1940,
incorporando textos seus e de outros autores. O tecido teve sempre uma profunda
associação pessoal, devido ao seu grande contacto durante toda a sua infância,
e assim durante anos empregou essa matéria-prima no seu trabalho artístico.
No início de sua década de 90, Louise Bourgeois criou o seu livro
de artista – “Ode à L’ Oubli” -uma encadernação em linho, as páginas são feitas
das toalhas de mão que ela tinha mandado bordar o monograma de 60 anos do seu
casamento. Homenagem ao longo casamento que conseguiram ter, ao contrário de
seus pais.
Livro de tecido ilustrado com 35 composições: 32 colagens em
tecido, 2 com acréscimos de tinta, e 3 litografias (incluindo a capa)/32,5x29
cm (fechado)/ 68 páginas sem numeração, assinatura impressa em litografia
vermelha na quarta capa/ exemplar único. Para montar o livro, Bourgeois
trabalhou durante seis meses com Mercedes Katz (costureira) e o SOLO Impression
imprimiu a capa litografada e as duas páginas dentro do volume.
Em 2004, Bourgeois lançou uma edição de “Ode à L’Oubli”, que foi
publicada pela Peter Blum Edition e foi produzida de 2003 a 2004 pelo workshop
SOLO Impression. Para criar esta edição, os tecidos exclusivos do livro foram
reproduzidos usando técnicas de litografia, impressão digital, tingimento,
costura e bordados. Em alguns casos, novos tecidos foram comprados e depois
modificados para se parecerem com os tecidos originais. Edição de 25
exemplares.
Seu assistente, Jerry Gorovoy, conta que um acento circunflexo foi
erradamente impresso no “A” da capa e da lombada na versão única de 2002.
Quando a capa para a versão editada foi feita em 2004, decidiu-se que o
título seria impresso com todas as letras maiúsculas, sem o acento e sem
itálico.
Estas composições eram compostas por retalhos costurados e palavras impressas, são 32 páginas compostas inteiramente de peças de tecido que ela usou ou guardou desde 1920, incluindo camisolas, lenços, toalhas de mão e guardanapos de mesa com monograma de suas iniciais. As páginas do volume apresentam uma variedade de técnicas – bordados, tecelagem - onde ecoam muitas das formas que a artista usou ao longo da sua carreira, círculos e quadrados concêntricos e formas orgânicas redondas.
Algumas páginas do miolo de "Ode à L’Oubli":
É inspirador que ela tenha feito arte até aos seus 90 anos
de idade, faleceu em 2010.
“My luck
was that I became famous so late that fame could not destroy me.”
Louise Bourgeois