quarta-feira, 14 de dezembro de 2022
Poema - 1979 - Lenora de Barros
terça-feira, 29 de novembro de 2022
Anna Bella Geirger: a gráfica-visual
A obra de 1976 de Ana Bella Geiger, destina uma atenção especial à língua: a artista desenhou quatro mulheres, dando foco à boca. Cada uma delas repete uma sílaba: “bu-ro-cra-cia”. Acima “Diga conosco”. A arte tornou-se uma espécie de espaço de alfabetização, inclusive para os artistas, onde uma única palavra, separada por hifens e por cores, marcam a separação fônica e silábica. Dado que escritores, intelectuais, artistas e por que não também determinados leitores e visitantes estavam sob suspeita, cabe a eles reaprender novas relações com a arte, inclusive a soletrar a violência codificada e disseminada na vida cotidiana, do período ditatorial que vivia o Brasil.
quarta-feira, 16 de novembro de 2022
Mira Schendel Brasileira. nasceu na Suíça 1919–1988
No início dos anos 1960, a artista Mira Schendel recebeu um grande pacote de fino papel japonês. Dando origem a milhares de monotipias e culminando em seus Objetos gráficos dos anos 1970, realizados enquanto ela dedicava uma década à investigação do meio do desenho e de suas potencialidades. As qualidades obsessivas e delicadas dessas obras variavam de uma única linha fina pressionada em uma página a camadas densas e abundantes de marcas e símbolos presos entre folhas de acrílico.
Mira Schendel, Graphic Object 1967–8
Mira Schendel, Graphic Object 1967–8
Seus desenhos/monotipias fundem a poesia com o espaço, e por isso apresentam similaridade tanto com a caligrafia oriental quanto com o abstracionismo pictórico informal. Com a escrita utilizada não apenas como meio elevado de expressão, mas também como anotação ligeira daquilo que poderia passar despercebido enquanto registro rotineiro, e que sua ação transformava em poesia, a artista eleva a gestualidade da letra.
Objetos gráficos demonstram poderosamente sua abordagem singular. As obras compreendem folhas de papel de arroz japonês marcadas com letras e números, símbolos e sinais impressos, datilografados e/ou transferidos a seco. As folhas foram então dispostas em grades sobrepostas prensadas entre duas peças de acrílico transparente e penduradas no teto, transformando a marcação e a ordenação dos gestos da artista em objetos flutuantes.
A artista observou que o acrílico lhe permitiu “concretizar uma ideia, a ideia de acabar com frente e verso, antes e depois”. uma leitura circular com os textos como centro imóvel e o leitor em movimento”, explicou Schendel.







