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domingo, 1 de junho de 2025

Casa da Discórdia nº32

    A Casa Da Discórdia, abre portas todas as noites de quarta-feira para testes de stand-up para humoristas, com alguma experiência ou conhecidos testarem o seu material. Semanalmente dispõem de duas sessões: às 19:45 e às 21:45. A premissa é muito interessante do público não ter conhecimento do cartaz até ao momento do espetáculo, ou seja, não faz a mínima ideia de quem vai atuar. Dando oportunidade aos artistas com menos visibilidade apresentarem as suas propostas e serem igualmente vistos. O público não vai ao espetáculo por nenhum artista em concreto, é movido pelo gosto pelo formato do espetáculo em si ou pela surpresa. Semana após semana os bilhetes estão esgotados, podemos considerar este formato um sucesso.

Na Casa da Discórdia nº32, no passado dia 16 de abril, os artistas em palco foram: Ricardo Maria, Daniel Carapeto, André Pinheiro, Joana Miranda, Pedro Teixeira da Mota e Tiago Almeida, atuação teve a duração de cerca de 5 a 7 minuto. Por coincidência ou não, os artistas em questão são bastante conhecidos, alguns deles até esgotam bilheteiras em espetáculos a solo, detém muita experiência de palco, de rádio, podcasts e projetos paralelos. A Casa é uma oportunidade de observar como os artistas testam o seu material, a sua expressão aparentemente cómica e descontraída, mas numa constante leitura e análise do público. 

O stand-up vive da presença do comediante, do uso do corpo, da voz, do tempo e do espaço. A comunicação com o público é direta, espontânea e a performance depende da forma como o artista consegue transmitir as suas palavras de forma a impactar o público. Estabelece uma certa relação com o teatro ainda que sejam áreas diferentes na sua performance. Desenvolvendo com a experiência a sua própria linguagem e a sua forma de interpretar e exprimir para o público o texto. A interação com o público é essencial, o comediante precisa de ler as reações e adaptar o ritmo, à situação em que se encontra, remetendo aqui para o improviso como uma possibilidade constante. O humorista cria uma personagem que não corresponde propriamente ao seu eu real. O artista depara-se com um constante dilema entre o real e a ficção, e a forma como o público o encara. O stand-up pode também ser um espaço de discurso político e social, onde são abordados temas de forma cómica, mas de muita profundidade crítica.

A Casa da Discórdia é um espaço experimental, onde existe a oportunidade de testar, dar lugar ao erro e permite confirmar as reações do público. Onde pode perceber onde e quando o texto pode ter mais impacto. O facto de as pessoas não terem pago necessariamente para os ver, simplesmente foram sem estar com a expectativa de ver alguém em concreto dá uma certa imparcialidade. Porque o espectador pode ou não conhecer o artista, mas está aberto á experiência de uma forma diferente do que se tivesse já mentalizado que vai ver aquele artista e que ele tem que corresponder à imagem que criou de si, seja noutros espetáculos ou projetos paralelos. 

 

                                                             
                                                                   


 

 

 

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Casa da Cerca - Centro da Arte Contemporânea

      A Casa da Cerca localizada em Almada, é um espaço muito marcado pela sua envolvente paisagística e enquanto instituição artística com um papel muito ativo para com a comunidade. 

                               

    O que ressalta logo á vista neste espaço é sem dúvida o espaço exterior, com um jardim com uma manutenção notável, um espaço amplo e natural um autentico escape no meio da fugacidade da cidade. Tem talvez das vistas mais privilegiadas da margem sul para Lisboa, é um sítio único. Andando pelo espaço exterior podemos encontrar várias escultura, várias plantas e flores também muito ligadas á vertente da Botânica. Existindo até um espaço que atualmente se encontra encerrado para manutenção dedicado ao desenho e estudo das mesmas.

    Para além de um espaço deslumbrante, a Casa da Cerca não se reduz a isso, tendo uma componente artística muito forte. Com uma programação muito virada para a arte contemporânea, com especial atenção à produção emergente e ao cruzamento disciplinar, com diversas exposições ao longo do ano. É também uma referência no panorama da Educação Artística, com um vasto leque de projetos e oficinas   bastante inclusivos, estendido a várias faixas etárias. Por exemplo o projeto orientado pela ceramista Inês Salgado, que se trata de placas de cerâmica produzidas durante as oficinas para famílias intituladas como "Texturas de Árvores" que se orientam expostas no espaço. 

    Esta Instituição destaca-se pelo valor cultural que traz para comunidade e pelo contributo para o enriquecimento da Educação Artística, e da difusão das artes. Dando visibilidade ás artes plásticas e proporcionando também a ligação entre esta área e as pessoas com menos possibilidade tornando a arte acessível a todos. É também de notar o excelente trabalho e empenho por parte do corpo da Casa da Cerca especialmente do departamento ligado á Educação Artística por ser tão coeso. 


domingo, 27 de abril de 2025

Para Todos Vocês Com Fantasias, de Diogo Nogueira

 


Algures na margem sul do Tejo, no centro de Almada podemos encontrar a exposição Para Todos Vocês Com Fantasias, da autoria de Diogo Nogueira patente na Galeria Municipal de Arte, inaugurada a 29 de março e com duração até dia 31 de maio de 2025 com a curadoria de Filipa Oliveira. A exposição reafirma o compromisso da Galeria com as práticas artísticas experimentais e interventivas, pretendendo divulgar a produção artística contemporânea na cidade.
A Galeria em questão pode passar um pouco despercebida no meio da fugacidade da cidade, trata-se de um local bastante recatado e simples numa longa avenida. O primeiro piso tem uma dimensão um pouco reduzida, onde se encontra o texto introdutório acompanhado de algumas obras de menor dimensão, mas não tendo muito por onde explorar. Já no piso de baixo as obras ganham outra presença. Num espaço muito mais amplo, com bastantes possibilidades a nível espacial a aproveitar.






A forma como as obras se encontram dispostas é muito interessante. Com quadros de dimensões muito distintas. E ao mesmo tempo obras de grande dimensão suspensas que dão bastante expressão á atitude provocatória e á liberdade traduzidas nas obras. 
O conjunto de obras retratam corpos em paisagens naturais. Corpos desprovidos de identidade reduzidos á sua carnalidade. Em posições e com gestos instigantes. Através de pinceladas livres e fortes, e da cor o autor consegue fundir os corpos com a paisagem, sendo em alguns deles quase difícil de estabelecer uma diferença entre eles. Tem intrínseca a representação da natureza e da ideia de que o corpo humano, o ser humano também faz parte dela. Convida também a uma reflexão sobre os processos criativos de cada um e ás possibilidades expressivas através da arte. 



              


        


O tema, a expressão do artista, a sua técnica e a disposição das obras estabelecem uma concordância entre obras muito interessante, e remete também para a sua contemporaneidade. Sem dúvida que é uma boa exposição a visitar, e o espaço é muito interessante pela forma como dinamiza a comunidade e pelo facto da sua programação ser desenvolvida pela Casa da Cerca- Centro de Arte Contemporânea. Estabelecem uma relação muito enriquecedora no que toca a acolher, divulgar e apoiar a produção e o pensamento artístico, tornando-se assim dois pontos de referência da arte contemporânea na cidade.