A página inicial da Atype contém uma instrução invulgar. Os exemplos apresentados são palavras escritas com o alfabeto, mas o visitante é convidado a não tentar lê-las, pois tudo será explicado mais tarde. Esta instrução revela muito sobre a Atypography: em vez de facilitar a leitura, o movimento adia-a e transforma essa demora no seu próprio material de trabalho.
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| Página inicial do site da Atype |
A tipografia convencional trabalha no sentido oposto. Tenta que o reconhecimento das letras seja quase automático, apoiando-se em convenções visuais partilhadas, de modo a que a atenção do leitor se concentre no conteúdo e não na forma. A Atypography parte do mesmo elemento, o alfabeto, mas interrompe esse automatismo, transformando a aparência da escrita de forma a que ver e ler deixem de coincidir, sem eliminar a possibilidade de decifrar o texto.
O projeto, que é obra de Svethe Grudi, sediado em Novi Sad, na Sérvia, apresenta-se como um movimento artístico que representa os sistemas de escrita tradicionais de forma não convencional, criando um desenho próprio que, embora continue legível, oculta, à primeira vista, os sinais do texto. Seria como pintar um quadro à maneira de Mondrian, mas com texto legível em vez de formas arbitrárias. O nome tem também a sua importância: o "A" não significa "anti" nem "abstrato", mas "sem" ou "não".
Segundo o manual, a origem é menos programática do que o tom do movimento sugere. Ao compor um texto para a capa de um álbum, Grudi considerou todas as fontes disponíveis demasiado óbvias e agressivas. A abstração do texto surgiu como solução para este problema específico e só mais tarde se transformou num método com os seus próprios princípios.
A Atype organiza o seu catálogo em cinco categorias principais: biométricas, de alteração, modulares, padronizadas e distorcidas. As definições do manual explicam a lógica de cada uma. Na família das biométricas, os glifos modificados formam, sequencialmente, uma figura abstrata que continua legível, uma vez que a estrutura de cada letra respeita as regras do sistema de escrita. Na família das de alteração, todos os caracteres partem da mesma forma e distinguem-se por elementos acrescentados. Nas famílias distorcidas, a base é comum a todas as letras, que resultam da sua deformação. Nas padronizadas, as letras são construídas dentro de um padrão fixo, com destaque para uma parte do mesmo. Nas modulares, as letras são formadas a partir de um número limitado de formas.
Dois exemplos tornam esta lógica mais concreta. A Kvar, uma fonte biométrica, existe em versões H, V e SQ (horizontal, vertical e quadrada), que correspondem à forma geral dos glifos. Assim, a mesma letra "A" tem um aspeto diferente consoante a versão. A Vitkovac, de alteração, parte de uma única forma de base, sendo que são as pequenas variações desta que identificam cada letra.
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| Kvar V |
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| Vitkovac |
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| Uso da Epetri na arquitetura, pág. 58 do manual |
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| Uso da Epetri na arquitetura, pág. 62 do manual |
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| Asemic: The Art of Writing, Peter Schwenger |
Esta prática é sustentada por dois princípios: a universalidade e a decodificação gradual. A expressão "No universality, no atypography" resume a ambição de reduzir os glifos a formas mínimas aplicáveis a vários sistemas de escrita e a ideia de que a dificuldade inicial é uma parte essencial do processo que coloca a paciência do leitor no centro da experiência.
“It’s not (text), but it is”













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