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sexta-feira, 10 de abril de 2026
Vintage Cameras Porto: testemunhos de memórias analógicas de um mundo antes do digital
sexta-feira, 3 de abril de 2026
Dorota Jurczak: Memórias de um Passado que Nunca Tive
Foi há pouco tempo que conheci a Galeria Rialto6 (Rua Conde Redondo nº6, 1º andar, Lisboa), na vernissage da exposição coletiva Standard Deviation, com curadoria de Gabriel Abrantes. A mostra reunia trabalhos de Ana Jotta, Carla Dias, Conner O'Malley, Inês Raposo, Max & Dave Fleischer, Meriem Bennani & Orian Barki, Paula Rego e Walt Disney. Sou admirador do trabalho da Ana Jotta e da Inês Raposo, mas nessa noite de setembro acabei por me cruzar com o que passou a ser a minha pintura preferida de Paula Rego até à data. Este encontro aumentou as minhas expectativas para a atual ocupação do espaço: itede, itepe, da artista Dorota Jurczak, com curadoria de Miguel Wandschneider (patente de 21.02.2026 a 30.05.2026).
Ao entrar na galeria, fui imediatamente confrontado com uma escolha no mínimo frustrante, a ausência total de contexto. Tendo apenas à mão um mapa da sala com os nomes das obras em polaco, não havia nenhuma palavra para além do título e do nome da autora. Senti-me à mercê das minhas próprias reações. O primeiro impacto foi o de um espaço demasiado vazio quando comparado com a Standard Deviation (que, diga-se, estava demasiado cheia). Essa sensação de vazio não desapareceu, mas foi abafada por um arrebatamento nostálgico, por uma memória que não possuo. O mundo visual que Jurczak ali apresenta parece saído de uns desenhos animados que marcaram a minha infância, mas com os quais não me cruzei, pelo menos de forma material, num claro efeito de assombrologia (hauntology), conforme desenvolvido pelo teórico cultural britânico Mark Fisher. A um olhar mais atento, essa familiaridade ganha peso e materialidade, e a força destas peças revela-se na sua execução. Os pequenos pormenores e a espontaneidade das texturas não só elevam a qualidade formal do trabalho, como transmitem a segurança de uma artista que deixa a sua obra acontecer, domina sem a asfixiar, confiança palpável de quem encontra a liberdade no próprio processo de criação.
A materialização deste universo fantasmagórico faz-se através de uma ocupação muito particular da arquitetura da galeria, que se desenrola ao longo de três andares. O percurso obriga-nos a navegar entre uma mezzanine e uma sala principal marcada por um desnível, que dá acesso a um quintal interior. É neste espaço fragmentado que as poucas obras de Jurczak habitam, sendo a exposição composta, na sua maioria, por esculturas em cerâmica.
Em vários momentos, caixas de sapatos em cartão servem de plintos para sapatos em cerâmica vidrada. As suas formas arredondadas e proporções exageradas remetem-nos, de imediato, para uma estética "Disney", reforçando a tal memória de animação de que falava. Enquanto grande parte das outras peças se encontra suspensa nas paredes, há uma exceção incontornável: três vasos em forma de porco que repousam diretamente no chão. O seu aspeto invoca a imagem sombria de urnas funerárias, como se estivéssemos a olhar para as cinzas dos Três Porquinhos remixadas com jarras canópicas, a inocência infantil a colidir com o macabro. A exposição conta ainda com algumas gravuras. São poucas, mas ditam o ritmo do espaço. A linguagem visual das gravuras aproxima-se da ilustração do livro infantil. Aqui o tratamento das texturas, tão bem conseguido nas esculturas, adquire uma nova relevância. Enquanto nas peças tridimensionais as texturas atuam como "figurantes", nas gravuras assumem o papel principal.
No entanto, à medida que a exposição se entranha em nós, a perceção altera-se. Mascarada por uma aparente inocência estética há uma maldade subtil. Instala-se um sentimento estranho e familiar, uncanny. Caminhando entre as obras, sente-se que aquelas imagens e figuras sabem algo que nos escapa. A este desconforto somamos outro, provocado pela falta de enquadramento decidida pelo curador. Fui, por isso, procurar respostas fora da galeria. A pesquisa levou-me à recente exposição destas mesmas peças na PLATO Ostrava (terminada no final de 2025), sob o título Pyk, Sciak etc.. O texto dessa mostra espelha na perfeição a tensão silenciosa que se sente em Lisboa: diz-nos que estamos a mergulhar numa verdadeira lição de "inquietude elegante" e clarifica que o trabalho de Jurczak vive na "linha de alta tensão entre a animação e a matéria morta", o tal desenho animado que nunca vi, mas do qual me lembro. Bebendo da tradição das marionetas checas e polacas, a artista cria criaturas que "parecem prestes a piscar os olhos no momento em que viramos as costas". A curadoria internacional confirma a capacidade de Jurczak para transformar objetos banais em "relíquias sagradas e ameaçadoras de um sonho que não conseguimos esquecer".
A ausência de palavras na Galeria Rialto6 forçou um diálogo direto com a arte, provando que, no caso de Dorota Jurczak, a matéria fala por si, mas é tímida sem uma reflexão, sem as chaves para abrir este mundo. Contudo, no cruzamento entre a intuição do espectador e o background cultural da artista, itede, itepe revela não uma simples coleção de objetos, mas um conto de fadas sombrio onde nós também vivemos.
quinta-feira, 26 de março de 2026
Paixão universal- O desvelar da sociologia da arte no continente africano
Ao percorrer a exposição "Paixão Universal – Arte Africana", no Palácio da Cidadela, o olhar do visitante é desafiado pela natureza dual dos artefatos: Por um lado Existe uma qualidade estética e artística dos artefatos que se torna evidente quando consideramos o papel da arte africana enquanto influenciador das vanguardas Europeias e quando apreciamos alguns dos objetos nas suas representações geométricas desde logo apontando para um sentido mais simbólico e metafísico. Por lado existe inevitavelmente a função profundamente ritualística, inclusivamente espiritual que é o propósito original da maior parte destes objetos.
A exposição incide sobre os diferentes povos que habitam a faixa equatorial e tropical de África, um vasto território que se estende do Oceano Atlântico ao Oceano Índico.
Kebra Nagast Óleo sobre tela, Assinado e datado em Adis Abeba, a 5 de março de 1932, Povo Amhara, Etiópia
A exposição tenta dialogar entre duas perspectivas distintas equilibrando a antropologia com a sociologia da arte, um exercício que nos leva à contemplação da função da arte, enquanto ferramenta de tradução do intraduzível. Os textos de apoio dão-nos algumas pistas.
Ao percorrer o itinerário, por sinal bastante extenso e com várias etapas, é absolutamente notável a diversidade e diferença nestas representações a nível dos materiais usados e da riqueza da linguagem plástica. Evidenciando o conceito de identidade e identificação com o sobrenatural muitos dos objetos são máscaras utilizadas por diversas sociedades secretas.
esquerda) Máscara Ibo-Igbo, Nigéria, Máscara Guere, Costa do Marfim (direita) Máscara plancha Ioniaken Toussian, Burkina Faso
Aqui convém dar algum contexto ao leitor sobre o papel estruturante destes grupos, à partida o termo sociedades secretas implica para a mentalidade europeia algo ligado ao ocultismo; Embora profundamente misteriosas e esotéricas à sua maneira estas sociedades servem papéis fulcrais de organização social, Não só como escola, mas como jurídico e orientador dos vários grupos, Curiosamente existe uma separação entre sociedades Femininas e Masculinas cumprindo diferentes funções.
A arte é então um pressuposto do ritual. As máscaras e figuras de fetiche expostas eram, na sua origem, agentes ativos Elas são o suporte físico de sociedades secretas, como a Poro ou a Sande, funcionando como instrumentos de coesão social, justiça e iniciação.
As imagens aqui descontextualizadas da sua função litúrgica carregam ainda assim uma carga simbólica que nos leva para um lado mais profundo da espiritualidade e os aspectos sombrios ancestrais da nossa psique.
A experiencia proposta pela exposição proporciona este este confronto com a nossa própria espiritualidade e sentido de identidade. A apreciação estética das obras, indissociável do seu papel litúrgico faz nos refletir sobre a função da arte no seu sentido mais puro, representar o inefável exprimir o inexprimível. Através do simbólico de uma imagem poder deslumbrar eternos mistérios.
Agnès Varda: fotografia, política e o ser mulher entrelaçados
São ao todo doze partes as quais a exposição se desenrola, cada uma dessas com uma temática referente ao contexto das fotografias. Começamos pelo literal início do trabalho fotográfico de Varda, uma exposição solo feita no pátio de sua própria casa em Paris no ano de 1954, onde já se percebe uma atenção aos detalhes e ao corpo feminino. Logo após a exibição dos primeiros trabalhos, a exposição ganha mais força e corpo ao avançar para os registros feitos em viagens que ela realizou. Porém, engana-se quem pensar que tais imagens são registros de viagens idílicas e descompromissadas, dado ao posicionamento político e feminista de Varda, seu olhar estará intrínseco a um mais profundo e não tão raso dos sítios visitados.
A escolha dos destinos das viagens não eram os óbvios, Varda passou pelo sul da Europa, na época esquecido, passou por revoluções, países como China, Cuba, movimentos sociais como os "Panteras Negras" na Califórnia, entre outros. A cineasta belga aparentava querer estar presente em todos os lugares que eram efervescentes, a sua época, e aqueles postos a margem também, em muitos momentos da exposição a imaginei como uma fotógrafa jornalista, porém, suas lentes pareciam se virar para onde as dos jornais raramente se viravam: cotidiano, crianças, mulheres e grupos marginalizados.
Essa atenção ao cotidiano, tão presente em sua filmografia, encontra um paralelo direto nas imagens produzidas durante suas viagens. Em filmes como "Cléo das 5 às 7" (1962), o interesse não está apenas na narrativa central, mas nos pequenos detalhes, a vivência pela cidade, nas pessoas que atravessam o quadro. Do mesmo modo, suas fotografias capturam cenas aparentemente banais, como feiras nas ruas de cidades, senhoras em janelas, mulheres com crianças à espera de pescadores na cidade de Nazaré em Portugal, crianças nas ruas e um vendedor de bananas em Cuba, entre outras que denotam uma leitura social e afetiva de Varda do tido trivial. Há, em ambos os meios artísticos, um olhar que se volta para o que costuma passar despercebido, recusando hierarquias entre o que seria digno ou não de ser registrado. Assim, o cotidiano deixa de ser apenas pano de fundo e passa a ocupar um lugar central, tanto na construção de suas imagens quanto na forma como Varda se relaciona com o mundo.
Também é importante notar como sua produção se entrelaça com os contextos políticos de sua época. Varda era uma mulher envolvida em movimentos sociais, e esse engajamento transborda para seu trabalho. As imagens não são apenas registros estéticos, mas também carregam posicionamentos e sensibilidades políticas. Como é o caso das fotografias nos Estados Unidos entre 1967 e 1968, mais especificamente em Los Angeles, onde registrou movimentos contracultura, protestos contra a guerra do Vietnã e marcos de resistência. Dos registros de Varda dessa época, os mais impactantes são os do movimento dos Panteras Negras, e talvez essa tenha sido a percepção da mesma já que filmou um documentário sobre, "Os Panteras Negras" (1968). O filme, ao contrário do que muito se disseminava do grupo na época como selvagem e agressivo, demonstra, através de olhares femininos e masculinos, a união do grupo, a preocupação de igualdade de gênero entre todos os integrantes, danças, coletividade e sentimento de irmandade como um todo, além da importância de resistência da população negra apesar de todo o racismo estrutural.
Entre o silêncio e a estrada: Mazgani em Almada
Foi a primeira vez que fui ver e ouvir um concerto de Mazgani e, desde o momento em que começou, senti que entrei num espaço intermédio entre geografias, memórias e atmosferas cinematográficas. No passado dia 6 de março, no Teatro Municipal Joaquim Benite, essa travessia tornou-se particularmente evidente com a apresentação de Cidade de Cinema, o mais recente trabalho do artista.
Nascido em Teerão, no Irão, e criado em Setúbal, Shahryar Mazgani pode, em certa medida, ser pensado como um iraniano português, carregando consigo uma identidade híbrida que atravessa a sua música. Essa origem não é apenas biográfica, é sensorial. Há na sua sonoridade uma certa melancolia e contemplação que nos traz à memória cantores como Leonard Cohen e Nick Cave. Canta maioritariamente em inglês, mas também em português, num registo onde a poesia, o silêncio e a introspeção assumem um papel central. Num contexto global marcado por tensões e conflitos, a sua presença que transporta de forma evidente essa herança, ganha ainda mais peso simbólico, lembrando-nos da profundidade cultural de um país tantas vezes reduzido a discursos políticos.
Mazgani apresentou-se com uma presença contida quase arrogante mas que provocava curiosidade num magnetismo misterioso. Quase não falou com o público, limitando-se a um breve “Estão bem, meus queridos?” de vez em quando, enquanto afinava uma das diferentes guitarras que usou, mas não foi necessário mais. A comunicação fez-se sobretudo através da música. A sua postura em palco, por vezes deslizante, quase dançante, contrastava com a economia de palavras, criando uma tensão interessante entre distância e envolvimento.
Musicalmente, o concerto foi marcado por uma fusão eficaz entre guitarras vibrantes e uma bateria pulsante, construindo um ambiente sonoro que evocava claramente o universo do rock alternativo com forte carga cinematográfica. Havia momentos em que a sala parecia transformar-se numa paisagem americana, como se estivéssemos a atravessar uma estrada infinita, algures entre a Route 66 e um filme de Tarantino. Esta dimensão imagética está alinhada com o próprio conceito do álbum, descrito pelo artista como “uma fantasia de silêncio e transcendência”.
A reação do público foi num crescendo começando tímida, mas ao longo da apresentação foi-se confirmando o impacto nos presentes. A sala cheia respondia no final de cada tema com entusiasmo genuíno, uma mistura de surpresa e admiração. No último momento, muitos aceitaram o convite de Mazgani e aproximaram-se do palco, para festejo conjunto, alguns a dançar,outros a aplaudir em uníssono, como se finalmente tivessem encontrado o lugar certo dentro daquele universo.
Ainda assim, essa contenção do artista pode dividir. Para alguns, reforça a aura quase mística do concerto; para outros, pode criar uma certa distância emocional. Mas talvez essa seja precisamente a proposta: não facilitar, não explicar demasiado, deixar espaço.
No fim, fica a sensação de ter assistido a algo mais do que um concerto. Entre o Irão e Portugal, entre o silêncio e o ruído, Mazgani constrói um território próprio, um lugar onde a música não se limita a ser ouvida, mas habitada. E isso, hoje, é raro.Para quem ainda não conhece, fica o convite é um universo que merece ser explorado.
Fotografias da autora
Serralves em Luz - A escuridão como tela e a luz como matéria
MNAC
O Museu Nacional de Arte
Contemporânea – Museu do Chiado (MNAC) ocupa parte do antigo Convento de São
Francisco da Cidade desde 1911, convivendo ao lado da antiga Academia de Belas
Artes agora Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Sofreu obras em
1994 pelo arquiteto francês Jean-Michel Wilmotte e em 2015 adquiriu também o
edifício do ex-Governo Civil de Lisboa, na Rua Capelo. Deste modo o museu
passou a ter dois locais de acesso ao exterior.
Existem
três pisos, sendo no piso 0 (Galeria [PeP] e Sala Polivalente) e no final do
piso 3 (Galeria Millennium, Galeria Capelo Sul e Galeria Capelo Norte) os
espaços dedicados às exposições temporárias. No piso 1 (pontes, Jardim de
Esculturas e Galeria Um), piso 2 (sala dos fornos) e no início do piso 3
(Galeria Serpa Pinto) o lugar da exposição de longa data do MNAC Impressões
digitais – Coleção do MNAC, orientada pela anterior diretora do museu Emília
Ferreira. A atual diretora é Filipa Oliveira que entrou em cargo no ano de
2025. Este conjunto de obras inclui a variedade da inovação e criação artística
contemporânea nas obras expostas, explorando diferentes materiais em áreas
artísticas distintas como a pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo e
instalação, dando ênfase a artistas portugueses.
O Jardim das Esculturas encontra-se temporariamente encerrado para manutenção, sem qualquer previsão para a reabertura.
Atravessar
o museu pareceu uma aventura, o trajeto apresenta subidas e descidas, escadas,
rampas e pontes, levando o visitante a querer explorar todos os espaços a
procura dos “tesouros” escondidos nas suas paredes e salas. Para um caminho
mais acessível o elevador oferece um short cut aos que precisem ou
prefiram. Os espaços amplos permitem a circulação e indicam-nos o caminho a
percorrer.
O charme na entrada do museu encontra-se no esqueleto do edifício antigo que expõe entre as paredes brancas o tijolo que nos acompanha até à sala dos fornos. Estes são ainda visíveis como se eles próprios fizessem parte da coleção e não do edifício, tal como os alçapões que agora cobertos por vidro permitem ao visitante uma visão de um andar para o outro com uma perspetiva peculiar para as obras que se encontram nesse espaço. A partir deste ponto entramos num circuito onde as paredes brancas são conjugadas com paredes azuis e verdes guiando-nos nesta aventura até ao final da exposição de longa duração do museu.
Parte
desta noção de exploração do desconhecido provém do facto de que o museu não tem
um mapa disponível, seja em versão física ou digital visto que o site oficial
do museu está neste momento de acesso indisponível, o que pode criar alguma
confusão. O visitante no fim da visita depara-se com uma saída diferente da
entrada e no caso de ter usufruído dos cacifos na sua chegada tem então duas
opções, a de sair do museu e fazer a volta pelo lado de fora ou a de retraçar
os seus passos fazendo de novo o caminho como se regressasse a casa.
O artista Columbano Bordado Pinheiro foi um dos diretores do museu e é um dos artistas mais representados neste. Podemos observar muitas das suas obras na Sala dos Fornos.
A
obra Concerto de Amadores acabou recentemente de ser restaurada,
conseguindo-se agora observar detalhes anteriormente impossíveis de discernir a
olho nu devido ao envelhecimento do verniz e pelo facto do próprio quadro ser
muito escuro, uma escolha frequente do artista. Alguns desses detalhes são mais
notáveis nas faces dos indivíduos representados e no vestido branco da senhora.
Outros menos notáveis e que por essa razão transmitem a necessidade do restauro,
são a cadeira que é agora muito mais visível e também as roupas do homem
sentado ao piano.
Concerto de Amadores, 1882, Columbano Bordalo Pinheiro, óleo sobre tela, 220 cm x 300 cm
Outra pintura pelo mesmo autor que se encontra agora também em restauro é O Grupo do Leão, onde estão retratados artistas, pintores da primeira geração naturalista. O grupo é representado à volta de uma mesa do que era anteriormente a cervejaria Leão de Ouro, em Lisboa. A disposição das figuras oferece ao observador a ideia de um momento parado no tempo, como se tivesse solicitado a atenção das pessoas à sua frente e de seguida tirado uma fotografia. Numa das visitas que foram feitas, o quadro encontrava-se virado ao contrário, o que oferece ao visitante uma perspetiva diferente e até engraçada da obra, estando as figuras agora de “pernas para o ar”.
O Grupo
do Leão, 1885, Columbano Bordalo Pinheiro, óleo sobre tela, 201 cm x 376 cm
Uma
outra obra que despertou interesse foi Cinco artistas em Sintra, onde
podemos ver representados no meio natural, os artistas portugueses a recriar paisagens
naturais portuguesas através da pintura. Os habitantes da região estão incluídos
no quadro como se estes fizessem parte do grupo, observando os artistas durante
o seu trabalho. Curiosamente, apenas os artistas e a mulher, que faz parte do
grupo de habitantes, olham na direção do quadro, como se fosse possível estarem
também eles a observar o seu observador.
Cinco artistas em Sintra, 1855, Cristino da Silva, óleo sobre tela, 87 cm x 129 cm




















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