Mostrar mensagens com a etiqueta 14431. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 14431. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Aleksandra Mir: The Meaning of Flowers e How not to cookbook


Para a ultima publicação do blog, trago duas obras da mesma artista, Aleksandra Mir.

Aleksandra Mir, nascida em 1977, é uma artista sueca-americana. As suas obras abordam questões sociais e questões de género, bem como questões em torno de nacionalidade, globalização e outras questões de pertencimento. Mir é conhecida pelas suas instalações e seus projetos coletivos, e revela um portfólio vasto com inúmeras exposições onde explora diferentes meios artísticos, como a fotografia, o desenho, entre outros. 



The Meaning of Flowers (2006) por Aleksandra Mir 

The Meaning of Flowers trata-se de um projeto de impressões fotográficas,  produzido em Palermo em 2006.  A obra consiste em 40 motivos em papel A artista partiu da concepção comum que é normalmente impressa às flores e o seu significado semântico. Muitas vezes, associa-se à ideais idealizados e esperançosos, partindo daí Mir editou “the botanical code in a more socially relevant fashion.” Este novo significado atribuído às flores sugere uma leitura mais duvidosa, de traição, insegurança e reconciliação. Estes são elementos que, coincidentemente, flutuam em relacionamentos amorosos. 




Em Meaning of Flowers, a artista combina diferentes técnicas, como a letterpress, até mesmo a impressão de frutas e legumes como se tratasse de uma atividade infantil. No fim, Mir cria uma nova versão de um livro botânico. 

A capa faz alusão aos livros estilo “coffee table”, livros decorativos que mantêm a harmonia do espaço. As impressões de Aleksandra Mir trazem uma visão pessoal, com implicações de sentimentos complicados. 


 The how not to cookbook: Lessons learned the hard way (2009)


Aleksandra Mir também revela este lado humoroso nos seus registros e publicações. Um livro que chamou-me atenção para esta artista foi o intitulado The how not to cookbook: Lessons learned the hard way, publicado pela Collective Gallery em 2009. Esse trata-se de uma simbiose de um livro culinário, ou um non-cookbook como é descrito, e um projeto artistico, onde a artista reúne uma série de erros realizados dentro da cozinha. De carácter humorístico, Mir baseou-se no seu próprio histórico culinário desastroso. Nesta publicação, a artista convidou mais de 1000 voluntários para narrar e descrever atos culinários e o que de fato não se deve fazer na cozinha. Aleksandra Mir se interessa aqui em compreender como nos ensinamos a nós próprios através de erros e acertos, acreditando que essa partilha de falhas possa ser compreendida como uma forma subversiva de arte, fugindo então de resultados repetitivos. 



5/ When making mashed wild strawberry and brown sugar sweet sauce for your vanilla ice cream, do not leave the small pan on the stove and walk away. When boiling, the sugar turns into caramel very quickly and when the sauce bubbles up all over on the stove it is not only a mess to clean up, but an absolute heartbreak.”


14/ When you have totally lost control over a dish, don't keep adding ingredients to cover up your mistake. Take a pause and then start over calm. If there are no more ingredients to use, order in.


Ainda, é interessante notar que este projeto foi produzido de forma extremamente limitada, pois a artista intencionou em criar uma obra de arte, onde o livro funcionou como uma obra exibida. As poucas cópias ainda assim podem ser adquiridas em lojas específicas.

Este livro torna-se assim mais difícil de encontrar disponível, ou até mesmo de encontrar mais informação sobre.


Mais sobre:

https://www.aleksandramir.info/projects/the-meaning-of-flowers/

https://www.aleksandramir.info/projects/the-how-not-to-cookbook/

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Griffin and Sabine de Nick Bantock

Para esta publicação, pensei em trazer um livro de ficção que tem um formato diferente. 

Quando estive a pesquisar algumas opções para partilhar no blog, eu procurei alguns tipos de formatos. Entrei no universo de novelas alternativas, e este livro trata-se de um romance epistolar. Romance epistolar trata-se de uma novela onde a narrativa é desenvolvida através de uma série de cartas ou correspondências.  


Griffin and Sabine é um romance de Nick Bantock, publicado originalmente em 1991 pela Chronicle Books. A narrativa conta a história de Griffin Moss que trabalha com a produção de cartões postais. A rotina monótona de Griffin é transformada quando este recebe um postal e Sabine Strohem, uma ilustradora de selos a qual ele diz nunca ter conhecido. Assim, dá-se início a comunicação e a narrativa.

Os dois apaixonam-se através das correspondências, entretanto, a história revela um certo nível de suspense.


O que me chamou atenção nesta publicação é o formato deste livro. Bantock criou uma publicação onde as cartas e os postais são removíveis, convidando os leitores a desvendarem o mistério e se envolverem mais a fundo com a história.

Acho particularmente interessante a intimidade que estes documentos parecem ter. Ficamos com a sensação que estamos a invadir um espaço onde uma 3a pessoa não é para ali chamada.

O romance conta com mais duas publicações, totalizando em uma trilogia.

Abaixo partilho algumas páginas deste livro. 






quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Finalmente o Verão - Jillian Tamaki e Mariko Tamaki Edição Planeta Tangerina

 


O livro que escolhi para esta semana é uma publicação da editora e ateliê independente Planeta Tangerina, uma editora focada em publicações para o público infantil, onde o foco é dialogar as ilustrações e o texto de modo a desafiar os leitores mais novos.


Finalmente o Verão trata-se de um livro da vertente Dois Passos e um Salto, a coleção do Planeta Tangerina para o público juvenil. A trama narra o cotidiano de duas amigas de verão, Rose e Windy, que às portas da adolescência, começam a se deparar com questões e pensamentos que criam um afastamento entre ambas. A mudança de hobbies e gostos pessoais, assim como o crescente interesse em rapazes fazem com que as duas jovens experienciem um verão de descobertas.


Jillian Tamaki é a ilustradora desta publicação, a narrativa e texto são de sua prima, Mariko Tamaki. Em conjunto, é criada uma obra em tons azulados, que usam os recursos da banda desenhada e o manga japonês para elucidar a uma leitura por vezes melancólica, por vezes dramática. 

Quando li este livro, eu consegui compreender a mentalidade e a perspectiva de uma pré-adolescente, e simpatizar com as limitações que a juventude e a inocência causam em situações sociais e familiares.


Esta novela gráfica dá-nos espaço através de ilustrações que vão consumindo os diálogos, ou por vezes tomam as páginas por inteiro, como a imensidão do céu ou a profundeza do mar. 

Alguns momentos da novela são extremamente íntimos e a narrativa explora temáticas delicadas como a gravidez na adolescência, misógina e o aborto espontâneo.


Por fim, partilho algumas das minhas partes preferidas deste livro de 332 páginas delicadamente ilustradas.









quarta-feira, 2 de novembro de 2022

The Views - Yael Malka

Yael Malka - The Views




    The Views é uma publicação da TIS Books, da fotógrafa Yale Malka. Esse projeto reúne uma série de fotografias de edifícios e espaços públicos em obras. O enfoque está nos“viewing panels”, pequenas janelas quadrangulares que dão acesso aos transeuntes às obras que ocorrem nos seus bairros.



    Malka então põe em causa a utilidade desses painéis, que criam a ilusão de pertencimento aos moradores destas áreas. Na realidade, estas construções são maioritariamente passos para a gentrificação de espaços tradicionais.

Nascida em Nova York no bairro de Bronx, Yale reúne uma série de fotografias de modo a observar a metamorfose da cidade, o seu plano urbanístico e como isso afeta as pessoas que interagem com essas mudanças na arquitetura. As fotografias apresentam diferentes momentos de construção, tanto das infra-estruturas e das comunidades, e a forma como estas apagam a cultura e a história original do espaço. As composições de Malka conjugam o que é real com o que é fabricado. 



    Diariamente, novas mudanças no plano urbanístico surgem e novas identidades são forjadas. Aprendemos a viver no meio desta constante mudança e ser vizinhos de obras. Já estamos habituados à presença sonora e estética destes ambientes. Malka nos situa dentro destes ambientes de proliferação das construções e alterações urbanas.

    Observamos a interferência urbana através de graffiti e autocolantes, onde a autora comenta “I collect them  both living artefacts and remnants of the changes occurring in the neighbourhoods. These sites are propellers of gentrification, and the layering is a symbol of rejection and refusal.”

    O trabalho de Malka apresenta uma crítica à mudança e a proliferação de espaços luxuosos em bairros tradicionais. A fotógrafa utiliza o in-between para expor as questões políticas e sociais por trás desta rápida mudança em bairros antes marginalizados, onde, em breve, com a finalização destas construções, os moradores terão seus espaços usurpados. 

 

Podem ver mais sobre o trabalho de Yale Malka nestes links:

https://yaelmalka.com/

https://www.1854.photography/2021/05/yael-malka-the-views/

https://kulturehub.com/neighborhood-gentrification-photographers-save-the-block-list/

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

LX LAPA: EXIBIÇÃO “TRANSFORMAÇÃO” Reúne Artistas Portugueses para repensarem o ciclo têxteis

    Para o Primeiro post do Reactor, achei pertinente indicar a atual exposição na Concept Store Lx Lapa onde eu trabalho como recepcionista. Para contextualizar, o edifício trata-se de uma grande mansão no centro do bairro da Lapa, e foi, coincidentemente, a sede da Casa dos Editores e da revista Brotéria em 1930. A Lx Lapa apresenta-se como uma loja de decoração que reúne peças vintage do século XX, assim como obras de arte contemporâneas e plantas de variadas espécies. A abertura de uma Galeria de Arte, como forma de divulgar artistas portugueses, conjuga-se com esse espaço eclético para criar uma experiência única no centro de Lisboa. 


Fig. 1 Cartaz e Flyer da exposição Transformação 


    Sob a curadoria do artista Vasco Águas, a exibição gratuita apresenta uma abordagem de artistas portuguesas sobre o universo têxtil e a sua multiplicidade. 

Esta mostra reúne uma seleção de obras, e segue o motto da artista têxtil alemã Anni Albers (1899 - 1994) sobre a tecelagem, onde Albers define a arte da tecelagem como uma forma de criação multifacetada. A profundidade das obras compostas recorrendo ao material têxtil, partem desde a sua superfície, por vezes lisa e suave, e outras mais rijas e rugosas. A arte em têxtil desdobra-se então, na sua composição final onde a construção em tecido revela o registo artístico. Por fim, as obras compostas através deste meio, são versáteis ao tornarem-se parte do uso cotidiano como objetos decorativos, bem como podem elevar-se a outro nível de compreensão artística. 

Fig. 2 Entrada da exposição 


    Quanto ao título da exposição, o grupo de artistas define “Transformação”  como parte do crescimento do processo criativo que os artistas experienciaram ao explorarem o têxtil. Em comum, este grupo concorda que a utilização deste meio artístico apresenta uma capacidade multifacetada da composição artística.  

A exposição reúne os trabalhos de Vasco Águas, Ana Rita Albuquerque, Graça Paz, Guida Fonseca, Maria Pratas, Filipa Won, Rita Sevilha e Rita Teles Garcia.


Os artistas reunidos exploram de formas variadas a utilização de tecidos. Em destaque, a artista Graça Paz define o seu progresso para a produção artística como composição musical. Paz traz memórias da infância e temas introspectivos onde a relação entre compositor e intérprete como analogia para o papel do artista e do observador.



Fig. 3 e 4 A Sacralidade da Ausência de Graça Paz, 2022 


    Podem visitar, até o dia 20 de Novembro de 2022, gratuitamente, a exposição na LX Lapa (Rua Maestro Taborda, 14), de Segunda à Sexta das 11:00 às 20:00 e das 11:00 às 19:00 aos fins-de-semana e feriados