Mostrar mensagens com a etiqueta 12367. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 12367. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Satajit Ray


Designer gráfico, cineasta, tipógrafo e ilustrador. Parece que não houve atividade criativa que limitasse as capacidades de Satajit Ray (1921-1992).

Nascido em Calcutá, não é de se espantar que Ray foi descendente de uma longa linhagem de criativos. Seu pai era escritor além de ilustrador e seu avó foi escritor, ilustrador, filósofo e até editor. 




Apesar de todas suas vocações, a maior paixão de Satajit Ray foi o cinema. Após muitos anos de trabalho na área de design de comunicação Ray foi a Londres de encontro com o cineasta francês Jean Renoir e ao ver o filme Ladri di biciclette se inspirou como jamais antes.

Seu portfólio cinematográfico inclui 37 filmes, diversas premiações reconhecidas e um forte apelo ao design mesmo após a mudança de profissão. Satajit Ray criou muita da publicidade de seus filmes, e seus posters eram obras cativantes.

Ao usar seus personagens em cenas quotidianas, Ray humanizava o tom de seus filmes e posters. Ele estudou muito fotografia e o fotojornalismo, Henri Cartier-Bresson lhe proporcionou ângulos de espontaneidade. Suas outras influências foram Nandalal Bose, Benode Behari Mukherjee e a própria cidade de Calcutá, sua amada primeira casa.





Sua escolha usual eram colagens e cores complementares, negando a estética colonial de sua época e ajudando a solidificar a cultura indiana. Seus posters tinham como objetivo expor com sensibilidade a essência de cada filme, o que contrariava a moda da época (até dos dias de hoje) de estampar rostos de celebridades nas publicidades para vender os filmes.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

A impressão chega na Europa


-->
Logo antes de lermos livros como os conhecemos hoje a Europa medieval produzia manuscritos iluminados. Livros feitos a mão por monges copistas e “diretores de arte” que eram responsáveis por solicitar e organizar as páginas com grandes embelezamentos e requintes. Os manuscritos eram de cunho religioso e reservados somente a aqueles com muito dinheiro.

Por volta de 1200 se iniciou um período de estabilidade financeira e política na europa, as universidades começaram a aparecer e os livros passaram a ser uma demanda crescente para os universitários e burgueses.

O papel inventado na China finalmente chega na europa e diversas formas de gravura também. Então em 1450, no Sacro Império Romano-Germânico, Johannes Gutenberg (inventor, gravador e gráfico) se torna o primeiro a mecanizar a produção de livros na europa por meio dos caracteres móveis de metal e a prensa.



A primeira reação da população a comercialização dos livros de Gutenberg foi de suspeita. Os franceses ao se depararem com um grande número de bíblias idênticas (algo nunca antes possível por meio da mão humana) acusaram o comerciante das bíblias de ter praticado bruxaria. Foi preciso renunciar a exclusividade do processo para desmistificar o sistema de impressão e com isso o conhecimento logo se espalhou pela europa.



Quando os manuscritos religiosos eram os únicos a terem espaço no mercado europeu, um livro poderia custar até o preço de uma fazenda. Então ao mecanizar e baratear os livros, novos géneros foram criados para agradar a população que até então não tinha acesso a leitura. E também foram criadas novas formas de consumir e disseminar informação como panfletos, propagandas e posters.

As novas impressões causaram desgosto pela parte de calígrafos e elites. Calígrafos pela europa entraram com petições em tribunas pela “competição injusta” e conservadores manteriam por um tempo a arte de produzir manuscritos declarando que caligrafia era superior a tipografia e que livros impressos não mereciam estar nas bibliotecas. Mas manuscritos, junto ao analfabetismo continuaram a cair.



O impacto foi inegável, a invenção de Gutenberg foi a primeira a mecanizar uma habilidade artesanal colocando em movimento um processo de 300 anos para a chegada da revolução industrial além de ser responsável por diversificar e massificar a leitura.

Referências: 
Meggs, P. B. and Purvis, A.W. (2016) History of Graphic Design. 6th ed. Hoboken, N.J.: John WIiley & Sons, Inc. 
Heller, S. and Vienne, V. (2014) 100 Ideas That Changed Graphic Design. London: Laurence King Publishing

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Cor & gênero


Cor & gênero


“Menino veste azul e menina veste rosa” diz Damares Alves, ministra brasileira da Mulher, Família e Direitos Humanos, em seu discurso de posse no início de 2019. A metáfora contra a diversidade de gênero gerou uma avalanche de críticas nas redes sociais e levantou a questão do surgimento desses signos. Quais as influências naturais e culturais da construção da relação gênero e cor?

The Blue Project – Kyungjin and His Blue Things, Gyeonggi-do, South Korea, 2017 © JeongMee Yoon


Azul em aspectos sensoriais é frio e distante. No frio nossos lábios e pontas dos dedos se tornam azulados e quanto mais ar há entre um objeto e seu observador mais azulado esse objeto se torna. Até mesmo o vermelho em grandes distâncias se torna azulado. E o vermelho é a cor natural do sangue, do fogo. Vermelho aquece, vermelho é a cor fisicamente mais forte aos olhos humanos.

Esses significados foram gerados a partir da natureza de cada cor. E em cima deles outras várias características foram sendo associadas. Como a tranquilidade e passividade que traz o distante azul. Então muito antes de azul ser cor de menino, azul era a cor das mulheres: idealmente tidas como serenas e plácidas. Azul era a cor de nomes femininos como Celina, Saphira, Bluette e jamais era utilizada em sobrenomes. Esses eram reservados para nomes fortes e másculos como Rot que em alemão significa vermelho. Até no Cristianismo, Maria era quase sempre pintada em trajes azuis e Jesus em vestes vermelhas para o espectador visualizar sua energia masculina.

Mas então porque rosa se tornou feminino e azul masculino? Bebês até a primeira guerra mundial eram vestidos em branco, pela facilidade de limpeza. Foi depois da guerra que varejistas no intuito de vender mais roupas criaram o conceito de separar azul claro para meninas e rosa para meninos (cores pastéis eram a moda da época). E apenas nos anos 40 com pesquisas de marketing se inverteu essa designação para atender a preferência do público alvo e os Baby Boomers se tornaram os primeiros a vestir meninas em rosa e meninos em azul.

The Pink Project – Jiwon and Her Pink Things, Gyeonggi-do, South Korea, 2008 © JeongMee Yoon



Referências:

HELLER, Eva. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. Barcelona: Garamond, 2012.

SMYTH, Diane. The Pink and Blue Projects by JeongMee Yoon. Disponível em: < https://reactor2016.blogspot.com/>. Acesso em: 12 nov. 2019.








quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Olimpia Zagnoli


Olimpia Zagnoli é uma ilustradora italiana que tem em seu portfolio trabalhos para The New Yorker, Taschen, Google, Vanity Fair, The New York Times, The Guardian, Fendi e outras várias empresas importantes.


Suas ilustrações coloridas e geométricas são fruto de uma construção de repertório consciente. Zagnoli busca inspiração em suas origens italianas. Primeiro no seu cotidiano de infância no norte da Itália, onde cenários planos e os horizontes chapados que via ao andar horas de trem inspiraram sua atual paixão por listras. E nos grandes artistas e designers italianos. São os principais deles Fortunato Depero e Bruno Munari. É possível ver isso por exemplo por meio da utilização da cor preta sólida junto a cores vibrantes como o rosa que é característico no futurismo de Depero (em cima) e entra de forma alegre e despretenciosa nos trabalhos da ilustradora (em baixo).






Mas Olimpia também tem uma visão muito autêntica sobre os signos e mensagens que desenvolve. Fruto de seu tempo ela utiliza seus grafismos de forma política e representativa pensando em historias que não as suas para criar composições inclusivas. Uma de suas primeiras peças de destaque foi para o The New York Times. O tema era Nova Yorke e Olivia ilustrou com suas cores vibrantes e lúdicas de costume, a diferença foi tornar negro o tom de pele da personagem que tinha cabelos laranja.



Outro caso que marca sua responsabilidade com a narrativa de suas ilustrações é o trabalho que fez para marca de massas Barilla. Essa marca alguns anos antes foi criticada por ter se recusado a trabalhar com casais que chamaram de "fora do tradicional padrão italiano", as propagandas apenas mostravam casais heterossexuais. Então Olimpia em um ato de rebeldia ao ser convidada para ilustrar as embalagens de macarrão escolheu representar um casal homoafetivo de mulheres para contradizer a própria marca. A embalagem acabou sendo aceita pela direção de arte, mostrando que as críticas anteriores causaram algum efeito no posicionamento da Barilla.



Em entrevistas a italiana ressalta para jovens ilustradores a importância da construção de uma identidade autoral por meio do autoconhecimento, das buscas por repertório condizente com vossa origem. E mediante essa construção gráfica autoral, a percepção de que existe uma responsabilidade do ilustrador ao narrar histórias. Qual é a vossa história? Qual história está sendo narrada na ilustração? Ela é inclusiva? Qual é vossa voz dentro da ilustração? São perguntas fundamentais ao trabalhar com ilustração.