O Museu José Malhoa foi o primeiro espaço construído de raiz para fins museológicos em Portugal, e isso sente-se: as salas têm um pé-direito generoso, a luz natural entra de forma estudada a complementar o naturalismo das obras de Malhoa.
A exposição permanente apresenta o maior núcleo reunido de obras de Malhoa, e o que mais ressalta é uma certa alegria de observar; Ramalho Ortigão dizia que ele pintava "sorrindo e cantando, quotidianamente, de Sol a Sol", e isso é visível. As Promessas, de 1933, é um bom exemplo: a cena religiosa popular tratada com calor e sem distância, de quem conhece de perto o que está a pintar.
O núcleo de escultura ao ar livre, espalhado pelo parque, fica um pouco à deriva, na minha opinião. As peças estão lá, mas a conversa entre elas às vezes parece inexistente. Ou pelo menos ela não chega a quem está a visitar o parque e o museu, parecem coisas completamente separadas. Apesar de ser um dos melhores contextos que um museu pode ter.
Mas o que faz com que eu volte ao Museu José Malhoa não é só a sua coleção e exposição permanente, é o que o museu constrói à sua volta. No dia 17 de maio, Dia Internacional dos Museus, houve o lançamento da publicação Juntamos muita gente ao barulho, ligada a uma exposição temporária e oficinas que lá aconteceram, e um concerto do Coro Social do Bairro à porta.
É um museu que percebe que a comunidade não apenas público e sim pode/deve fazer parte do seu programa.