No passado dia 4 de abril, decorreu no Coliseu dos Recreios o concerto do músico Ibrahim Maalouf, trompetista franco-libanês, acompanhado pelos Trumpets of Michel-Ange (T.O.M.A). O concerto foi um momento de celebração e partilha da música, da empatia e do amor. Este foi o seu primeiro concerto em Lisboa.
Ibrahim, “homem velho” de África, pastor e contador de sonhos, como escreveu António Curvelo, do Jornal Público, trouxe o público para dentro das suas histórias, convidando-o a celebrar, cantar e dançar as suas canções-histórias. Com a sua enorme empatia, o público respondeu, acompanhando-o até ao momento em que se acenderam as luzes cruas do fim do espetáculo.
A experiência coletiva de um concerto é um momento de grande vibração, e o mestre de cerimónias foi exímio em orquestrar a diluição das fronteiras entre o palco e o público. Chegou mesmo a celebrar, segundo as suas palavras, um casamento entre todos os participantes, enquanto no palco os músicos tocavam The Proposal. Este álbum, como o próprio afirma, representa uma passagem de testemunho entre gerações, uma celebração dos valores transmitidos de pais para filhos, de professores para alunos, e assim sucessivamente.
A música de Ibrahim é uma viagem, tanto pelas composições vibrantes e de grande energia como pelas fusões de estilos musicais, entre os quais se destacam o jazz, as guitarras intensas do rock e a música tradicional árabe. O seu enorme sucesso advém precisamente dessa linha absolutamente original de cruzamento de influências. No palco, o improviso também faz parte do concerto: ele e os seus músicos dialogam, utilizando os instrumentos como voz dessa comunicação.
O alinhamento do concerto não deixou de fora músicas que o público anseia ouvir e dançar ao vivo. Uma dessas músicas, talvez a mais conhecida, Beirut, é uma homenagem à sua cidade natal e aos seus cidadãos, sempre em resistência. Ibrahim partilhou com o público não só as suas histórias, mas também as suas preocupações com o estado do mundo, com a crescente intolerância, com a guerra implacável e com a desumanização.
As suas palavras serão as mais acertadas para fechar este texto: Tudo se resume à transmissão e ao amor. Essa é a filosofia deste álbum, e acrescento que foi também a do seu concerto.


