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segunda-feira, 13 de maio de 2024

Exposição "Japão: Festas e Rituais" (M1)

 


"Japão: Festas e Rituais" no Museu do Oriente é uma exposição fascinante, que convida a visitar um calendário de celebrações anuais, com base nos princípios do xintoísmo e do budismo presentes no Japão. A programação desta exposição, propõem a entrar neste mundo interessante da identidade japonesa, onde a tradição coabita na atualidade. Os visitantes são imediatamente imersos numa rica experiência cultural, tradição e espiritualidade.


Um dos aspectos mais marcantes da exposição é a diversidade de obras de arte expostos, com cerca de 1500 peças que demonstram o universo das celebrações e rituais, desde trajes elaborados e máscaras usados ​​durante festivais, por exemplo os traje de demónio visitantes raihoshin namahage, até trajes cerimoniais utilizados durante as cerimônias no templo, como se viu na parte da exposição não só do vídeo de uma Miko Mai como também na secção de Kannushi e Miko com os trajes de sacerdote e sacerdotisas que carregam séculos de tradição, cada peça conta uma história da rica herança cultural do Japão. 


Em termos expositivos, a organização do espaço cria um ambiente imersivo que transporta os visitantes ao coração dos festivais do Japão, dividindo o espaço entre rituais e festas através de um chinowa (ritual de purificação semestral), dando assim uma ideia do visitante passar do templo e entrar nas festividades após passar por um ritual de purificação. Com uma disposição meticulosa dos displays ou do uso estratégico de iluminação e som, cada elemento foi considerado para uma boa experiência geral. Uma característica particularmente interessante é a incorporação dos elementos multimídia ao longo da exposição: as projeções de vídeo que mostram os festivais em ação como as gravações de áudio que captam os sons da música e o próprio sino de ano novo, estes componentes acrescentam uma camada extra de profundidade à exposição, permitindo aos visitantes uma imersão total nas festividades, não só isso, mas tomamos conta de uma preocupação do museu na tentativa de replicar espaços relativos tanto às festividades como aos rituais, por exemplo no espaço de butsudan onde foi replicado uma espécie de fachada de templo para acompanhar o altar.



        Além disso, a exposição trabalha na contextualização de cada festival e ritual dentro da paisagem cultural e histórica do Japão, por meio de painéis informativos e outros, os visitantes adquirem uma compreensão mais profunda dos contextos históricos, sociais e religiosos que moldam as celebrações. 
Por outro lado, é necessário apontar alguns pontos negativos que ocorreram ao longo da exposição. Apresentada no espaço do 2º piso no museu do oriente observamos cerca de 1500 objetos artísticos expostos, este grande número levou a uma sobrecarga de informação para o visitante, grandes vitrines carregas de objetos e informação como foi o caso dos Yokai e como Ebisu e Daikoku onde existem textos grandes e mal expostos nas laterais dificultando a leitura. Outro ponto a mencionar, algumas peças encontram-se em espaços próximos das saídas de emergência como Réplica de fudo myoo e outras obras atrás de pilares sem indicações de estarem expostas como a Réplica de Jizo Shibarare.



        Esta exposição apresentada pelo museu do oriente na educação cultural fica notória ao longo de toda a exposição, desde programas educacionais, workshops e visitas guiadas que oferecem aos visitantes de todas as idades, remete também para uma oportunidade de expandir a sua compreensão da cultura japonesa. Para qualquer pessoa interessada no Japão ou apaixonada pela descoberta cultural, esta exposição é imperdível.





O QUEBRA-NOZES - Russian Classical Ballet (M2)

    Presente no centro Cultural Olga Cadaval, com o Auditório Jorge Sampaio quase lotado, foi onde decorreu a performance: o ballet do quebra-nozes da companhia Russian Classical Ballet.


A companhia Russian Classical Ballet é uma das mais conhecidas e prestigiadas companhias de Moscovo sob a tutela de Evgeniya Bespalova, tentando preservar a tradição do Ballet clássico russo, este balé em particular, teve a sua coreografia desenvolvida pelas mãos do famoso dançarino e coreógrafo russo Marius Petipa, sendo uma das performances mais representadas da companhia.

Segundo a missão da Russian Classical ballet, o espetáculo foi realizado com uma produção clássica da obra de bailado clássico do "o quebra-nozes" de Tchaikovsky, apresentando uma narrativa clássica mas ao mesmo tempo encantadora do romance e fantasia de Clara e o próprio quebra-nozes.

A performance em si teve a duração de aproximadamente 120 minutos com intervalo de 20 minutos, um dos bailados mais famosos apresentados pela companhia de balé russa, com movimentos que destacam a flexibilidade e fluidez, ao longo da apresentação, os dançarinos mantêm sempre um sorriso no rosto para a plateia, mesmo em performances mais rigorosas. Além disso, durante a performance, especialmente porque encontrava-me perto do palco, o som das caixas dos sapatos de ponta a embater no chão fazia um barulho interessante, que acompanhava com a música.

A peça inicia com a cena da festa na véspera de natal, na residência da família Stahlbaum, onde ocorre a festa natalina, os adultos conversam enquanto as crianças dançam e brincam. Com a chegada do padrinho de Flitz e Clara, Drosselmeyer, este realiza alguns truques de magia e mostra às crianças as várias bonecas mecânicas, apesar de não dar nenhuma destas bonecas, Drosselmeyer presenteia a Fritz e a Clara um boneco cada. Cheio de inveja da atenção que o quebra-nozes está a ter, Fritz acaba por o partir e abandonar o palco, com isto, o padrinho pega no quebra-nozes, acabando por o reparar como novo. A festa se encerra e em determinado momento Clara vai até o quebra-nozes sob a árvore de natal e adormece com ele nos braços.

Entrando na cena de Batalha: quando a meia-noite chega, tudo se transforma, existe uma redução da iluminação, e os brinquedos ao redor da árvore ganham vida e começam a mover-se, na sala o exército de ratos liderado pelo rei rato aparece, o quebra-nozes acorda e lidera o exército de soldados de brinquedo para combater os ratos, enquanto isso o rei rato e o quebra-nozes duelam. Depois de muito tempo, o quebra-nozes e o exército não conseguem resistir e são capturados pelo rei rato e Clara dá uma pancada nele, atirando um chinelo, fazendo com que ele caia e os ratos vão ao socorro do rei levando da cena, o quebra-nozes de seguida devolve o sapato a Clara.

"Land of Snow": O quebra-nozes recebe um momento de conto de fadas e transforma-se revelando um príncipe, transportando Clara numa jornada para a terra das neves, que cenograficamente era basicamente uma floresta com flocos de neve dançantes.

Na cena final, "Land of Sweets", é o reino da Fada Sugar Plum, onde o quebra-nozes narra para a Fada sobre o confronto com o rei rato, o que leva à fada a decidir conceder uma recompensa e é aí que todos começam a dançar: Dança Espanhola, Árabe, Russa, Chinesa, Mirliton e a mais famosa, Valsa das Flores, no final existe um gênero de solo entre a Fada e o quebra-nozes, o famoso pas de deux.

Terminando a cena da terra dos doces, vamos em direção ao desfecho em que a Clara desperta do sonho com o boneco ainda nos braços, ou seja, desde o momento em que ela adormeceu até agora, foi tudo apenas um sonho.


A performance foi magnificamente ensaiada, além do cuidado minucioso não apenas com a coreografia, mas também com o figurino das personagens e o cenário. Na cena intitulada "March", que acontece logo no início da peça e vemos crianças a dançar animadamente, a música era prazerosa e extremamente adorável a vê-los dançar, também é um momento em que todas as crianças estão a receber os seus brinquedos.

No "Candy Cane" russo, há apenas três bailarinos (2 mulheres e 1 homem) com muitos passos da dança tradicional folclórica russa, incluindo muitos saltos e piruetas. Comparada às outras seções de dança do ato II (chinesa, espanhola, etc.), esta é bem agitada. Acho que é uma das partes mais conhecidas da trilha sonora para muitas pessoas. Outro ponto, é a "Waltz of the Flowers" é uma peça clássica com muitos bailarinos, uma das valsas mais famosas, é executada em duetos e inclui a entrada da fada e do quebra-nozes.

Pas de Deux da fada Sugar Plum (Clara) e do quebra-nozes, em termos musicais, muitas das vezes trazem-me lágrimas aos olhos, especialmente quando se sabe que Tchaikovsky compôs essa música pensando na sua irmã falecida por motivos de doença. Uma composição lenta, cheia de reviravoltas, no momento em que o Quebra-Nozes levanta a fada, usam trajes brancos, especialmente bonitos, não apenas a coreografia, mas também esteticamente bonito, o que provoca diversas emoções no espectador.