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quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Coletivo criativo Familia Plómez

O coletivo criativo Familia Plómez (Família de Chumbo em tradução livre) funciona como um atelier de letterpress, tipos móveis e digitais no intuito de preservar e expandir os conhecimentos tipográficos em Madri. Os designers e artistas desse atelier produzem, ensinam e comercializam peças prontas e ferramentas para outros também produzirem, além de executar algumas pequenas encomendas, mas sem a pretenção de se tornarem uma gráfica convencional.

Poster Vermú Casero de Ales Santos


Poster En Esta Casa No Se Fía de Ales Santos


Type specimen de Nicolás Garcia

O grupo de cerca de 14 designers se uniu em 2011 após o curso de Tipografia Digital pelo IED Madri e desde então mantém e revesa o espaço quase como um hobby, sendo mais uma despesa compartilhada do que um empreendimento lucrativo financeiramente. Contudo, eventualmente a Familia Plómez organiza workshops diversos, tanto para quem é da área, como para empresas fora do setor.

Letras invisibles de Roberto Gamoral


Descanso de copo Sonãr con una Cerveja de Nicolás Garcia

The Wire de Nicolas Garcia e Juanjo Lopez

Dentro do leque de serviços, o atelier também oferece réguas para desenho. São réguas em acrílico com recortes diversos para serem usados como módulos para a criação de tipos. O conjunto de formas dentro das réguas parte de adornos em chumbos do acervo da própria Plómez e podem ser compradas na loja online deles.


Régua Patrona

Super Plakattype


Régua tipométrica


Régua Super Veloz

Composição em chumbo que deu origem a régua Super Veloz


quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Vincent De Boer | artista e letrista

Vincent de Boer é um artista e letrista neerlandês. Suas ferramentas mais comuns são o pincel e tinta, majoritariamente sobre papel. Ele vem desenvolvendo, em trabalhos variados, uma técnica própria que o identifica facilmente sua autoria como criador, essa abordagem pode ser comparada a uma impressora.

Exposição em 14.05.2022 conjunto com as artistas Romee van Oers e Franzis Engels.

Trabalhos da coleção Workstation 2


Rolo 007 (Workstation 2) - Tinta japonesa em papel chines, dupla face - 160 x 45 cm

Esse aspecto de impressora pode ser visto pela linearidade no fazer das peças de Vincent, a cronologia de cada pincelada é identificada com alguma facilidade, não há retoques ou correções, as linhas únicas se distinguem entre si pela força, precisão e quantidade de tinta no pincel passado apenas uma vez.


LEAP, tinta sobre papel - aprox 50 x 80cm







Em seu trabalho como letrista é perceptível o domínio da tradição caligráfica para então subverter os cânones. O movimento e o uso do espaço são amplamente explorados nessas peças.




Em 2021 de Boer inalgura uma nova etapa em sua trajetória artista, unindo a confecção gráfica com a instalação performática, executando sobre um equipamento feito sob medida para ele. Nessa gigante "impressora manual", o artista confeccionou peças igualmente enormes enquanto era assistido pelas pessoas que passavam no pavilhão.




quinta-feira, 3 de novembro de 2022

''Non esiste al mondo la parola giusta'', Irma Blank

Non esiste al mondo la parola giusta ("Não há no mundo essa coisa de palavra certa" em italiano) é o mote para a obra da artista Irma Blank. Irma, de origem alemã se muda para Itália aos 21 anos e nesse contexto de dois idiomas e gosto pela linguística, inicia seus estudos sobre a relação da escrita, livro e desenho. Sem usar nenhuma palavra reconhecível, a artista escreve textos inteiros apenas mimetizando o ato de escrever, repetindo movimentos e estruturas de manchas de texto.

Ao longo dos anos, a artista utiliza diversos materiais e métodos, mas sua obra sempre aborda o tema do texto e dessa chamada "linguagem universal", como ela própria denomina. Irma consegue gerar através da repetição e da subtração, padrões gráficos altamente reconhecíveis que são familiares quanto estrutura e estranhos em conteúdo, como um texto em uma língua que de nada percebe.


Trascrizioni, 1974 - 750x560mm


For all, 1976 - 100 páginas, 180x100mm

Eigenschriften, Fliessend, 1971 - 24 páginas, 236x167mm


Denkmuster 2, 1996 - 557x750mm

Trascrizioni, 1974 -750x560mm

Ecrits radicaux du livre du silence, 1985 - 586x750mm



Eigenschriften, 1969 -750x548mm


Eigenschriften, 1968

Germinazioni, 2018



Falas de Irma Blank na exposição ''Blank'' de celebração de sua obra completa no Culturgest em 2019.

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Glendex Binder - Livros Autoportantes

Em 1946 nos Estados Unidos, Glenn e Guinevere Henry dão início ao pedido de patente do projeto que há anos desenvolviam, o chamado Glendex Visualine Lectern-Binder. A patente abarcava algumas versões de uma estrutura autoportante para livros, folhetos, álbuns de discos e outras peças gráficas.

Conjunto de fichas técnicas para cadastro da patente do Glendex junto ao Escritório de Patentes estado unidense.  

A proposta simples consistia em incluir mais uma utilidade à capa de uma brochura, a possibilidade de manter a peça aberta e em pé sozinha na inclinação para leitura.

O casal não apenas desenvolveu a dobradura que permite o recurso de manter livros em pé, como também adaptou o maquinário necessário para realizar essa produção especial. Os livros feitos com esse novo recurso poderiam ter encadernação tradicional, com páginas costuradas, como também páginas perfuradas e anéis de fichário em metal.


Exemplar da edição de 1961 do Webster Seventh New Collegiate Dictionary. Foto publicada no Twitter pela conta @
Merriam-Webster



Exemplar da edição de 1961 do Webster Seventh New Collegiate Dictionary. Foto publicada no Twitter pela conta @PeterSokolowski


O livro, com a estrutura proposta deixa de ter o tradicional formato retangular, para se assemelhar a um hexágono, com a lombada saliente dando muito mais volume à peça. A capa também diverge do habitual por conta dos grandes vincos em diagonais, cortando a frente e as costas. Ao abrir, os vincos transformam a silhueta, criando uma base triangular com a lombada de apoio.

xemplar da edição de 1961 do Webster Seventh New Collegiate Dictionary. Foto publicada na matéria A Journey Into the Merriam-Webster Word Factory do New York Times de 22 de março de 2017.



Sequência de prints do vídeo do perfil @Lett_Arc no Twitter. No vídeo exemplar do The Cuneo Press of England - Type Faces Linotupe Monotype Displays, edição estimada de 1955.

Menção à edição da Cuneo Press of New England usando o sistema Glendex na Revista Bookbinding & Book Prodution de setembro de 1953.

Como os próprios desenvolvedores enfatizavam em seus anúncios, o Glendex Binder se mostrava uma ótima opção para encadernar publicações pesadas como bíblias, dicionários, enciclopédias e também qualquer livro que fosse necessário manter aberto por muito tempo, como um livro de receitas ou de exposição. Assim o casal funda a empresa Glencraft Products Co., na tentativa de viabilizar comercialmente o produto para todas essas finalidades.

Anúncio dos produtos da família Glendex no Jornal Orlando Evening Star em 12 de março de 1970.
 

O Glendex Binder não parece ter tido grande adesão das editoras, mas é possível especular que os motivos estejam principalmente relacionados ao custo de produção e logística.

Como a patente do produto já expirou, hoje é possível produzir nas exatas dimensões originais sem que isso signifique o pagamento de royalties a ninguém. Assim, o Glendex pode ser mais um recurso de suporte no leque de opções no desenvolvimento de novas peças gráficas.