Encontrei aqui uma relação interessante com a prática do design, particularmente com o design de comunicação na qual me licenciei. Muitas vezes, o trabalho de um designer não consiste em criar novos conteúdos, mas em selecionar, organizar e estabelecer relações entre elementos talvez já existentes. Mas parece-me que esta exposição permite pensar um pouco além da organização visual. Os armários e o frigorífico não eram apenas suportes para as obras, eram objetos com funções e significados que os visitantes já conheciam e que influenciavam a forma como acabavam por interagir com aquilo que encontravam.
No design acontece algo semelhante. O formato de uma publicação, o contexto em que encontramos um cartaz ou a maneira como navegamos numa interface não são questões secundárias à informação que apresentam. Fazem parte da experiência e condicionam a nossa interpretação. Um mesmo conteúdo pode adquirir significados diferentes consoante o suporte, a sequência ou o espaço em que é apresentado.
Naturalmente, curadoria e design são práticas distintas, mas ambas exigem uma consciência da relação entre os objetos, o contexto e as pessoas que os encontram. Talvez por isso me interesse particularmente esta exposição: Obrist não procurou disfarçar a cozinha ou transformá-la numa galeria convencional. Pelo contrário, aproveitou aquilo que o espaço já tinha de familiar para propor uma forma diferente de observar as obras.
A cozinha continuou a ser uma cozinha. O que mudou foi a maneira de olhar para ela.

