terça-feira, 20 de outubro de 2026

O ato Criativo de Rick Rubin

 O ato Criativo de Rick Rubin


Algo que percebi e me incomoda é os inúmeros livros que assumem e alegam mudar sua vida, buscam sempre trazer uma verdade absoluta, algo que vai mudar o rumo da sua vida, inúmeros livros de autoajuda para bem estar, criatividade e entre outros. Que dizem ter a verdade absoluta. Não que deixe de ser verdade, existem sim muito bons livros, mas o facto é, nenhum autor pode alegar tal declaração, nenhum livro tem verdade absoluta, a verdade é relativa para cada pessoa, cada um é tão singular, como voce pode afirmar que um livro pode ajudar todos, se todos têm crenças, backgrounds, limitações, medos, traumas, diferentes. 

Rick Rubins escreveu O ato criativo, um livro do qual me chamou atenção de todos os outros após conhecer mais a fundo o autor e a razão dele o escrever. Ele não escreveu esse livro para os outros mas sim para si mesmo, pelo próprio prazer de o escrever e também como forma de se auto descobrir através de suas reflexões, e ele mesmo diz no livro que, não é um livro que traz verdades/ factos absolutos, alguns trechos podem ressoar contigo e outros não, ele fala que não existe forma correta de ler o livro, você pode ler por capitulos de interesse, pode ler os poemas, pode ler aquilo que bem entender e querer. O que faz total sentido, porque algumas pessoas podem indentificar se com o início do livro, outras o final, e tantas outras com os poemas, frases curtas, aforismos que ele coloca ao longo do livro, cada pessoa é singular, logo a forma como uma pessoa le ou interpreta um livro será totalmente diferente de outra, o livro pode ser o mesmo, mas as interpretações podem ser inúmeras, cada um lê o livro de acordo com o próprio reflexo pessoal que projeta naquilo que lê. 

Portanto ele não tentou vender o livro com um slogan bonito para o marketing, ele quis ser autêntico aquilo que ele é e publicar um livro que tivesse sentido e significado para ele e que pudesse servir de exemplo para os outros.

Rick Rubin contou que, no início do livro, conversou com editores de grandes editoras. Quando explicava a proposta, muitos pareciam não saber muito bem o que fazer com ela: esperavam que, como produtor musical que ele era,que ele escrevesse histórias sobre os artistas com quem trabalhou. Rubin, porém, queria escrever um livro de filosofia/prática sobre criatividade, não uma autobiografia ou um livro de bastidores da música.

Por isso, ele tomou uma decisão: não fechou contrato de publicação antes de terminar o livro. Ele queria evitar que as expectativas de uma editora — público-alvo, marketing, histórias que "venderiam" etc. — interferissem no processo criativo.

E havia uma incerteza real: Rubin disse que não sabia como as pessoas reagiriam ao livro, justamente porque era diferente do que esperariam de um produtor musical. 


O ponto importante é que O Ato Criativo não é simplesmente texto corrido. Rubin queria uma experiência bastante específica, com frases curtas, aforismos, bastante espaço em branco, diferentes ritmos de leitura e elementos que se aproximam da poesia. E ele se envolveu profundamente no design.


A intenção primordial foi envolver-se no processo de criar sem expectativas de como seria o resultado final.


Ao pesquisar mais sobre o artista, vi que, Rick Rubins é uma pessoa que prioriza muito a autenticidade, expressar a si mesmo para o mundo, sem tentar prever e criar com base em expectativas exteriores, mas sim ser seu eu autêntico e expressar esse potencial para o mundo.

Porque se você tenta se adaptar ao outro, você é apenas um reflexo uma projeção daquilo que existe no exterior, portanto não existe verdade nisso, se são apenas imagens sendo refletivas, mas agora se você é 100% autêntico, então existe verdade, algo consistente.


Para mim, um livro é sobre isso, é a alma do autor projetada no livro, é autenticidade, é arte. Nunca deveria ser criado com intenções ocultas de tentar mentir, ocultar, para criar marketing e apelo ao consumo.