Bule Arare
Este bule japonês de ferro fundido transcende a categoria de um simples objeto cotidiano, tornando-se uma verdadeira referência internacional graças ao seu design minucioso e à maestria técnica empregada em sua confecção.
O termo « Arare » significa « granizo » em japonês, o nome deriva do motivo tradicional de pontilhados que cobre os dois terços superiores do corpo do bule, bem como a faixa ao redor da borda externa da tampa. Esses padrões compostos por dezenas de pequenas protuberâncias ou relevos arredondados, dispostos geometricamente sobre a superfície evocam as pedras de granizo das tempestades de março, a geada matinal ou ainda as bolhas que se formam na água quando ela começa a aquecer. Para isso, os artesãos pressionam individualmente centenas de pequenas cavidades em moldes de argila ou de areia, seguindo padrões geométricos perfeitos. O bico deliberadamente curto quase desaparece sob a curva bem delineada da alça que se fixa ao corpo do bule por meio de dobradiças laterais conferindo uma estética singular à peça.
Em 1975, esse saber-fazer técnico foi elevado ao status de tesouro nacional com a designação da fundição japonesa (Nambu Tekki) como o primeiro artesanato tradicional, visando preservá-lo, especialmente contra imitações industriais baratas, geralmente fabricadas na China ou na Índia. Cada bule tradicional traz o selo da oficina japonesa de origem e é acompanhado por um certificado de artesanato tradicional.
Embora o bule Arare seja hoje amplamente difundido ao redor do mundo graças à exportação, o advento neste pequeno objeto cotidiano no Japão ocorreu no século XVIII, quando o ritual da cerimônia do chá adquiriu uma importância fundamental.
Naquela época, os letrados japoneses adotaram o cerimonial do chá conhecido como « sencha », que se contrapunha simbolicamente ao « chanoyu », um cerimonial mais rígido associado às classes dominantes. O « sencha », que utiliza folhas de chá em vez de chá em pó, oferecia uma alternativa mais livre, pois dispensava diversas regras complexas e não exigia utensílios decorativos. Tratava-se de um convite para desfrutar um momento de prazer durante a cerimônia do chá. Assim, essa nova forma, mais livre, de conceber e praticar a cerimônia permitiu a popularização de bules menos custosos porque produzidos em larga escala.
O longo período de relativa paz no Japão, a partir do século XVII, também possibilitou uma produção expressiva de objetos de uso civil por diversas fundições que anteriormente dedicavam-se à fabricação de material bélico. Desde então, o bule Arare praticamente não sofreu alterações, ele assumiu sua forma contemporânea em 1914, fundamentando-se em princípios de produção que carregam séculos de história.
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Foto da produção da empresa Iwachu, a fabricante mais famosa do bule Arare e a maior e mais antiga produtora de utensílios de ferro fundido no Japão.
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