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sexta-feira, 3 de junho de 2022

Uma educação diferente - CAI

 

O CAI, Centro de Arte Infantil, existiu durante 18 anos (1984/ 2002), fazendo parte do espaço do CAM, Centro de Arte Moderna, da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Lá a Arte-Educação era vivida e os seus jovens educandos aprendiam Arte, sobre as suas diferentes perspetivas, e… praticavam-na.

Três alunos, três exemplos, três nomes: Alexandre Penim, Tiago Nunes e João Fazenda, reencontraram-se na exposição “A Infância da Arte/ A Arte da Infância”, com Curadoria da Professora Doutora e Pintora Dalila D’ Alte Rodrigues, promovida pelo Centro Cultural Aziz Ab’Saber do ISPA – Instituto Universitário, em Lisboa, e inaugurada no passado dia 03 de Maio de 2022. Dia que, acompanhada por uma colega, visitámos esta exposição, cuja divulgação foi feita através da Rede Social - Facebook e Website. 

 


Na Galeria Dr. Mário Casimiro, do mesmo Instituto, coabitavam obras destes três autores /artistas, de alturas distintas das suas vidas, com enfoque nos trabalhos da época em que frequentavam o CAI, Anos 90, do Séc. XX, em homenagem aos seus Professores e Pintores: Dalila D’ Alte Rodrigues e Eurico Gonçalves.

      

À entrada, na parede frontal, e em continuo passava um vídeo onde eram visualizadas obras de Eurico Gonçalves, Artista Plástico, Psicopedagogo e Arte-Educador no Atelier de Expressão Plástica do CAI. Igualmente Ensaísta, que de entre outros livros, escreveu: “A Pintura das Crianças e Nós-Pais, Professores e Educadores”, em 1976, Porto Editora, e em 1991, “A Arte Descobre a Criança”, pela Raiz Editora; pudemos encontrar excertos das suas obras literárias, na folha de sala, e conhecer melhor os percursos de formação e profissionais, daqueles que cresceram no CAI.




Alexandre Penim, atualmente Mestre em Arquitetura, frequentou o CAI a partir dos 10 anos de idade onde, sob orientação de Dalila D’Alte Rodrigues e Eurico Gonçalves, se sentiu encorajado a seguir um percurso artístico, que também passou pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL). E que se encontrava presente, acompanhado pela sua jovem família.



Tiago Nunes, Professor de Design de Equipamento, na FBAUL, participou no CAI entre os anos de 1991/ 1998, sendo que no seu último ano, expôs individualmente e pela primeira vez, Desenhos e Pinturas. Vencedor de diversos prémios na área do Design, é também Empresário na With Company, onde desenvolve projetos estratégicos e inovadores, da sua área. Igualmente esteve presente na exposição.



João Fazenda, reconhecido Pintor/ Ilustrador Nacional e Internacional, foi docente de Ilustração na Ar.Co e é, atualmente, Professor na FBAUL; autor de livros infantis e peças de Teatro, foi por diversas vezes distinguido com importantes Prémios ligados à Ilustração. Não se encontrou presente, por motivos profissionais.



Após uma longa espera e depois da chegada dos homenageados, o acolhimento aos visitantes e convidados apenas foi feito por Dalila D’ Alte Rodrigues, com a presença de Eurico Gonçalves.

Apresentando os seus antigos alunos, falou do percurso dos mesmos e recordou momentos e metodologias utilizadas no CAI: onde a liberdade criativa de cada criança era estimulada e valorizada, falando de alguns exemplos como: um episódio em que as crianças eram convidadas a pintar, coletivamente, numa extensão/ rolo de papel, aplicada no pavimento. Dalila D’Alte Rodrigues afirmou, em leve tom crítico, que a Educação Artística é fundamental no percurso formativo das Crianças e que essa falha educativa pode afetar o seu desenvolvimento.

O evento terminou pouco depois do discurso de Dalila D’ Alte Rodrigues, deixando-nos desconfortáveis por não ter ouvido a opinião dos Autores/ Artistas, representados, pois não discursaram.

Sentimos que as peças expostas e de grande qualidade, não foram devidamente mencionadas, por parte dos Autores/Artistas presentes, pois poderiam ter recordado junto com os professores, os momentos em que as executaram.

Apenas, durante a realização desta recensão, tomamos conhecimento de que posteriormente foi realizada uma Masterclass sobre a Exposição, com a presença dos seus intervenientes. A qual sentimos que não tenha sido tão amplamente divulgada, mesmo a quanto da Exposição.

Elegemos as obras de João Fazenda, como nossas preferidas.

Quanto a todos os trabalhos expostos, revelaram uma maturidade no traço e na criatividade das crianças, agora adultas, resultante das aprendizagens realizadas naquele memorável Centro de Aprendizagem Artística – o CAI, que gostaríamos que voltasse a existir.




Bibliografia e Websites, consultados:

Folha de Sala, Exposição “A Infância da Arte/ A Arte da Infância” (2022). Lisboa: Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) – Instituto Universitário.

Martins, D. (2014). Dissertação de Mestrado em Educação Artística, Centro Artístico Infantil da Fundação Calouste Gulbenkian – Contributo para a Educação Artística em Portugal. Lisboa: Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Educação de Lisboa.

https://www.ispa.pt/agenda/eventos/a-infancia-da-arte-a-arte-da-infancia/

https://www.ispa.pt/agenda/noticias/inauguracao-da-exposicao-a-infancia-da-arte-a-arte-da-infancia/

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Dois Palcos.

 No dia 08 Maio de 2022, numa visita de grupo, em estudo livre, ao espaço do Museu Nacional do Teatro e da Dança, fomos reencontrar o ambiente dos palcos. 

Situado em Lisboa, na Freguesia do Lumiar e no interior do Palácio Monteiro-Mor, edifício datado do Séc. XVIII, este Museu é adjacente ao Museu Nacional do Traje.

No Pátio exterior, apresentavam-se coloridas figuras denominadas de “Máquinas de Cena”, do espetáculo escrito por Gil Vicente, com o Título de “Romagem de Agravados”, representada a 06 de Junho de 2002, nas ruas da cidade das Caldas da Rainha, pela Companhia “Criadores de Imagens”. Este espetáculo foi comemorativo dos 500 anos passados desde a apresentação da primeira peça do mesmo autor. As apelativas figuras são inspiradas no tríptico: “As tentações de Santo Antão” do Pintor Hieronymus Bosch, contemporâneo de Gil Vicente. 

Foram realizadas e, posteriormente, restauradas, pelo Artista e Cenógrafo José Carlos Barros.

     Transpondo a entrada do Museu, encontrámos Salas adornadas com cortinas de veludo vermelho escuro e paredes pintadas de negro, remetendo-nos para um ambiente dramático e fazendo realçar cada Obra de Arte. A proximidade, quase palpável dos trajes que tantas atrizes e atores vestiram, acentuavam essa sensação. 

Do Hall, entre outras obras, pode-se observar: o imponente traje de cena da Actriz Virgínia (1850-1922), da peça “A Princesa de Bagdad”, escrita por Alexandre Dumas Filho, que nos transportou para outra época: no Romântico final do séc. XIX e as esplendorosas sessões teatrais, no Teatro D. Maria II. na segunda sala, pôde-de-se apreciar o trabalho de costura deste traje, os seus tecidos e formas, tão característicos da época.

     Visitando as seguintes salas notou-se a convivência das diferentes Artes: desde a Pintura à Escultura, passando pela Fotografia ao Desenho, dos Figurinos aos Trajes e respetivos acessórios. 


 

O estudo para o busto da Atriz Emília das Neves, Séc. XIX, do Escultor Soares dos Reis ou o busto representativo da Fadista e Atriz Amália Rodrigues, Séc. XX, pelo Escultor Joaquim Valente, são duas obras que cativaram a nossa atenção.

    


Imediatamente antes de nos dirigirmos ao piso superior, pudemos conhecer através de maquetas, diferentes Teatros de Lisboa, alguns já extintos ou transformados em outros espaços. Como exemplo a maqueta executada por André J. Chaves Romão, referente ao Teatro Apolo, antigo Teatro Príncipe Real, obra de 1865 demolida em 1957.




Subindo até ao piso superior, na primeira sala, podiam-se observar maquetas de cenários que se apresentavam em nichos. 

Novamente, o negro das paredes, mantinha a continuidade do percurso. Notou-se uma mudança na organização do espaço, que por sua vez nos remeteu ao teatro de Fantoches e aos bastidores, nomeadamente à simulação de um camarim, da Atriz Laura Alves, antes do desaparecimento do Teatro Monumental. 

 

Nas duas salas seguintes, o ambiente encontrava-se sobretudo dedicado à Dança.

Aqui, entre figurinos da Pintora Paula Rego e do Estilista Nuno Gama, existe um local especialmente dedicado ao Ballet Gulbenkian, infelizmente extinto. Entre figurinos e cartazes, era possível assistir a gravações vídeo de alguns espetáculos.


 


 


De salientar, o enquadramento expositivo do trajo de cena, de 1976, para a personagem do Cisne, no Bailado “O Lago dos Cisnes”, composto por Tchaicovsky; que durante décadas foi apresentado por esta Companhia e cujas diferentes bailarinas doaram ao Museu, as suas sapatilhas.



Quase a terminar a visita e surpreendidas por uma mudança de ambiente, com iluminação parcialmente natural, sob a sugestão de um espaço de Galeria de Arte.


Encontramos outra exposição, sobre: as comemorações relativas ao Dia Mundial da Língua Portuguesa, com o Título “Mulheres Saramaguianas”, visitável apenas entre os dias 05 e 08 de Maio de 2022. Com Curadoria Artística de Ana Matos, esta exposição sobre as personagens femininas do Escritor José Saramago, tais como: Blimunda, Maria Sara, Joana Carda, a Mulher do Médico, a Morte e Gracinda Mau-Tempo.


Nas paredes, encontravam-se emolduradas, obras dedicadas a cada uma das personagens, pelas Escritoras: Dulce Maria Cardoso, Adriana Lisboa, Lídia Jorge, Ana Luísa Amaral, Ana Margarida de Carvalho e Djaimilia Pereira de Almeida; acompanhadas pelas criações visuais dos Artistas: Graça Morais, Manuel João Vieira, Ana Romãozinho, Joana Villaverde, José de Guimarães e Miguel Januário.

A alteração do ambiente espacial, transmitiu um distanciamento face ao que fora visitado antes, pelo que a sensação de vazio e frieza, permaneceram durante o tempo em que observávamos estas obras. 

 Das mesmas, destacámos a de José de Guimarães, em Serigrafia e em Gravura, a de Miguel Januário; a primeira pela paleta de cores características do seu autor e a segunda pela ausência de cor. 



Seguiram-se outras escadas para o piso inferior, que nos conduziram novamente à entrada onde terminámos a visita assistindo a um vídeo de homenagem à Atriz Laura Alves. 




A saída pela mesma entrada, trouxe-nos de volta ao Pátio e a uma paisagem verdejante do Parque, que faz ligação ao Museu Nacional do Traje.