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terça-feira, 3 de junho de 2025

Performance- Caldas Late Night

 A performance de Iago Moura Mota esteve presente nas Caldas da Rainha, no dia 30 de Maio, no evento Caldas Late Night. 

A performance interpretada pelo heterónimo "Natureza Mota", fez com que todos os que a observavam ficassem perplexos. Esta performance é feita de uma interpretação de vários poemas da autoria própria de Iago Mota onde através da voz e da linguagem corporal projeta os sentimentos.

Percebemos uma fusão de teatro com poesia, onde alguns dos poemas que declama designa-lhes o nome de "Lúcio" e "O bispo da pata preta", interpretando com uma entoação na voz onde é nítido a mensagem e o sentimento, para além da performance que através do vestuário marcante e do corpo consegue mover o espectador. 




Ao longo do espetáculo enquanto o poeta declama os seus poemas existem diversas interpretações de cada texto que se ouve. A poesia dá aso a que o espectador também ele interprete à sua maneira. 

No entanto, o performer através da sua interpretação passa uma mensagem que também é somente dele. Ao longo da performance podemos dizer que existe uma separação clara daquilo que é o seu "eu" e do "outro" que está em cena. Outro esse que se expressa com características muito peculiares. 





É evidente através das palavras que diz, da expressão, do movimento, do corpo que fala com quem o está a ver que toda a sua arte se torna visível e original.  É com todo o corpo que declama a poesia dentro dele.

Percebemos que estão dois corpos no palco, um a olho visível e outro a tentar expressar-se, a tentar descobrir-se e a conectar-se com os outros. 




Ao entrar naquele espaço ouve-se uma voz que enche o peito, uma voz sentida, uma voz de alma que prende todos aqueles que tentam ir ver o que está a acontecer. Presos ao poeta, ao performer, ao artista tentam decifrar aquilo que necessita do olhar critico, do olhar de artista, pois para além de espectador, este deve inquietar-se um pouco mais e tentar ver o outro lado da moeda, e daquilo que está à sua volta.



A encenação, o texto, a caracterização bem como a interpretação são feitas exclusivamente pelo ator. Está patente um entusiamo, pragmatismo que se torna surpreendente sentir. 
Para além disso, em cena o intérprete pretende abrir um outro espaço para além do que já existe, ou seja, dá a possibilidade de abrir um espaço mental através do corpo.

Constata-se que todo o público sente a energia daquele espaço em modos muito diferentes, pois todos os que observam têm um olhar único e logo toda a performance poderá ser interpretada das mais diversas maneiras.










segunda-feira, 2 de junho de 2025

Exposição- "Voltar a gostar de rosa"

 "Voltar a gostar de rosa" é uma exposição que esteve presente, nas Caldas da Rainha num evento que celebra a cultura, a arte e a liberdade, "Caldas Late Night". 

Entre os dias 28 e 31 de Maio todos aqueles que se encontravam no evento onde procuravam algo que lhes abrisse mentes e despertasse o coração encontraram nesta exposição uma reflexão e até um certo silêncio. "Voltar a gostar de rosa" fala sobre o corpo e os seus traumas, remetendo a violência sexual. Através de cordas vermelhas e rosas ligadas às várias partes do corpo estão os traumas que esse corpo pode ter passado. As cores vermelhas fazem representar o sangue e a violência em contraste com as cores rosas que representa aquilo que é feminino. 

Esta exposição serve como um ponto de denúncia para a violência no namoro, para o corpo e a mente que ficam traumatizados num silêncio de medo e vergonha. Encontramos espalhadas pequenas partes do corpo, acessórios, mensagens que tentam espelhar o sentimento presente. 

Podemos dizer que quando o ser humano não quer falar, o corpo fala por ele de várias maneiras, através de expressões, marcas, onde existe uma espécie de linguagem silenciosa que comunica com os mais atentos. 



Todas as exposições presentes neste evento são feitas principalmente pelos alunos de artes da ESAD, bem como por outros artistas. Esta exposição foi feita por uma aluna da ESAD que falou um pouco sobre quais foram os seus motivos ao realizar esta exposição onde abordou temas como já referidos anteriormente, como, o corpo e a mente, o subconsciente, os traumas, a violência física, sexual e emocional, as cordas e os seus significados e as ligações com os elementos presentes.

Observa-se um ambiente calmo, observador, curioso e pensante. Onde todos aqueles que param para observar a exposição não imaginam a história por trás do que aparece à primeira vista, mas com um olhar atento e curioso faz perceber a muitos a mensagem que todos aqueles elementos representam.


















Pelo corredor, onde vão percorrendo as várias pessoas ouvem-se diálogos, questionamentos e até admiração. Por outro lado, enquanto uns ficam alguns minutos a tentar admirar a obra, outros passam  olhando apenas uma vez para ela saindo como se de nada se tratasse, onde não dão espaço para a reflexão ou indignação. 

Uma exposição que "falou" muito para alguns e nada para outros. 


quarta-feira, 30 de abril de 2025

A Casa da Cerca e as oficinas artísticas

 A Casa da Cerca, em Almada, é um centro de arte contemporânea, onde nele podemos observar um belo jardim botânico com vários tipos de plantas com o objetivo de aproveitá-las para fazer arte, ou seja, plantas estas que são utilizadas para as mais variadas práticas artísticas. 

Para além disso, esta casa tem um vasto programa cultural. O momento inicial serviu para explorar e observar a linda paisagem do rio Tejo bem como admirar e refletir sobre as esculturas que naquele jardim habitavam. Uma experiência imersiva, na medida em que, neste centro de arte contemporânea são também exploradas através de oficinas, várias experiências artísticas bem como exposições e atividades culturais.


No dia 11 de Abril esteve presente uma oficina onde foi explorado uma mistura entre a fotografia e o desenho com o objetivo de retirar das pessoas o melhor que elas têm dentro e fora de si. 

Através da arte, neste caso da fotografia em consonância com o desenho, todos aqueles que foram mergulhados pelo desafio conseguiram superar algo que seria para muitos impossível. Desenhar através de uma câmara obscura, sentir que todos podemos fazer arte mesmo que não seja aquela que pensamos ser a nossa arte principal. 

Podemos dizer que, muitos são movidos pela arte que têm dentro deles, mas podemos ter mais do que uma arte dentro de nós, podemos ser artistas por completo! Mas o que é ser um artista por completo? 

Ao longo do decorrer desta oficina que oferecia um espaço tranquilo, com música relaxante e ao mesmo tempo motivadora, foram criados retratos. As reações foram várias, desde curiosidade e surpresa, a estranheza e reflexão. 



Perante este centro contemporâneo e através desta oficina surgiram diálogos, reflexões, contacto com a natureza, questionamentos, observações e um olhar crítico e artístico.

Todos os que se submeteram a esta experiência saíram dela mais leves e enriquecidos, cada um à sua maneira.