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quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

4# Luciole, tipografia para leitores com deficiência visual

 

A fonte Luciole foi desenha pelo designer Laurent Bourcellier do studio typographies.fr e um grupo de pessoas multidisciplinar com o propósito específico de desenvolver uma fonte tipográfica direcionada para leitores com deficiência visual.

 

A sua criação partiu da colaboração entre três áreas distintas - a medicina (oftalmologia, ortóptica, psicologia), a edição adaptada (especialistas em transcrição) e o design tipográfico, foi fundamental para criar essa fonte.





A sua construção baseou-se em vários critérios de design destacando a proporções, modulação de linha e espessura da linha.

 

O corpo mais usado é de 20 pts na área da deficiência visual, variando de 16 a 20 pts para adultos e de 20 a 24 pts para jovens. Esse tamanho maior impacta diretamente as proporções da fonte, onde é crucial encontrar um equilíbrio entre legibilidade e quantidade de texto por linha.

 

No desenvolvimento da fonte Luciole, as proporções foram levemente ajustadas para aumentar o número de caracteres por linha, visando melhorar a legibilidade. A modulação de linha, que geralmente ocorre em junções de curvas e retas, foi reduzida ao mínimo para evitar confusões visuais. Isso foi feito considerando que alterações abruptas na espessura das linhas podem prejudicar a perceção das letras por leitores com deficiência visual.





Quanto à espessura da linha e à consistência do sistema, a variação entre a fonte normal e a versão em negrito foi cuidadosamente calibrada para garantir um contraste perceptível sem comprometer a legibilidade. Essa diferenciação é crucial, especialmente em contextos como adaptação de materiais escolares, onde a perceção de

cores pode ser um desafio.





A fonte Luciole possui uma família com muitas variantes, permitindo escrever várias línguas europeias e símbolos matemáticos e gregos. Foi projetada visando a legibilidade para pessoas com deficiência visual e eficiência em publicações adaptadas. É utilizada por editores especializados, transcritores e professores.





https://luciole-vision.com
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0001691823001026?via%3Dihub

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

3# Dislexia e Fontes para Leitura: Uma Abordagem Acessível

Adislexia é um transtorno específico da aprendizagem que afeta a habilidade de uma pessoa em ler, escrever e soletrar. Geralmente, é caracterizada por dificuldades na decodificação de palavras, associadas à velocidade de leitura e compreensão. No entanto, é importante ressaltar que a dislexia não está relacionada à inteligência,  mas enfrentam desafios específicos na área da leitura.


Felizmente, existem várias fontes e recursos que foram desenvolvidos para auxiliar aqueles com dislexia a melhorar suas habilidades de leitura. Desde fontes tipográficas especiais até softwares e aplicativos que oferecem suporte na leitura, a tecnologia desempenha um papel crucial para ajudar pessoas disléxicas a superar obstáculos na leitura .Entre as fontes mais conhecidas temos a Lexia Readable, dyslexie, a open Dyslexic e a Sylexiad.



A fonte OpenDyslexic é uma fonte de texto de distribuição gratuita e destinada a pessoas com dislexia. Desenvolvida pelo designer Abelardo Gonzalez em 2011, a OpenDyslexic foi projetada com o propósito de minimizar os obstáculos enfrentados por indivíduos disléxicos durante a leitura.Esta fonte possui características distintas, como letras levemente inclinadas para trás e maior espessura nas extremidades das letras, o que pode ajudar na redução da confusão entre caracteres similares. Além disso, as letras possuem espaçamento mais amplo entre elas para melhorar a legibilidade e evitar que se sobreponham. A ideia por trás da OpenDyslexic é proporcionar uma experiência de leitura mais confortável e menos cansativa para aqueles com dislexia, criando um texto mais claro e de fácil compreensão. 







OpenDyslexic  regular






As fontes e ferramentas desenvolvidas para ajudar indivíduos com dislexia são testemunho do poder da tecnologia em tornar a educação mais inclusiva e adaptada às necessidades individuais. Ao reconhecer e utilizar esses recursos, é possível oferecer oportunidades equitativas de aprendizado, capacitando e apoiando pessoas com dislexia em sua jornada educacional e pessoal.



https://dislexia.pt/blog/fontes-de-texto/

https://opendyslexic.org


quarta-feira, 8 de novembro de 2023

2# Livro Ilegível

 2# - Livro Ilegível  

  

“Simplificar 
é um trabalho difícil e exige 
muita criatividade. 
Complicar 
é muito mais fácil: 
basta acrescentar tudo o que nos 
vem à mente” 


Bruno Munari 
“Das coisas nascem coisas”

 

“Sabe-se que as pessoas de idade têm uma enorme dificuldade em modificar o seu pensamento, justamente porque aquilo que se aprende nos primeiros anos de vida permanece como regra fixa pra sempre, ter de mudar, para muitos, é como perder a segurança para aventurar-se numa situação que não se conhece. A solução deste problema, de aumentar o conhecimento e de formar pessoas com mentalidade mais elástica e menos repetitiva está em nos ocuparmos com os indivíduos enquanto se formam. Nos primeiros anos de vida, enquanto, como ensina Piaget, se forma a inteligência. Sabemos também que nos primeiros anos de vida as crianças conhecem o ambiente que as rodeia por meio de todos os seus receptores sensoriais e não apenas da vista e do ouvido, percebendo sensações táteis, térmicas, matéricas, sonoras, olfativas...Pode-se projetar um conjunto de objetos parecidos com livros, mas todos diferentes para informação visual, tátil, matérica, sonora, térmica (...).” (Munari, 1981) 




Livro ilegível 
branco e vermelho
Bruno Munari, 1953

 

 

O livro elegível é uma provocação, é uma negação daquela regra que o livro é um simples suporte da leitura. O que define o livro é o papel, a encadernação, a cor, a textura, os cortantes, os grafismos também pela forma como esses cortes se sucedem, deixando para trás o pensamento que o papel é um mero suporte de texto. 

A exploração acontece recorrendo às diferentes texturas, espessuras e formatos das páginas como uma melodia, cujo ritmo passa através do formato, dos cortes e da forma com se sucedem. 

Para Munari os materiais que compõem o livro é o comunicador, é o texto invisível. A experimentação irá compor uma história que cada leitor irá criar, sem restrições, sem início e fim. O discurso visual irá obrigar o leitor a usar todos os órgãos sensoriais. 

O livros ilegível foram produzidos todos manualmente, inicialmente expostos na livraria Salto de Milão 1950. Alguns anos depois, 1953 e um editor holandês, Steendrukkerij, publicaram uma tiragem não oficial de 2000 exemplares. 

Munari criou vários destes livros ao longo da sua vida, sendo sempre recorrente a experimentação dos materiais e os jogos visuais. 



Livro ilegível MN1

Bruno Munari, 1984


BIOGRAFIA

Munari, Bruno (1982) “Das Coisas Nascem Coisas”, Lx, Edições 70

Brandão, Lucas - “Bruno Munari, um dos principais nomes na teoria e prática do design”. Comunidade Cultura e Arte. [Em linha]. 2017. [Consult. a 10.12.2017]. Disponível em: https://www.comunidadeculturaearte.com/bruno-munari-um-dos- -principais-nomes-na-teoria-e-pratica-do-design/

1# Pré-livros

 1# - Pré-livros 

 

a criança que é exposta 
à livros que geram 
aborrecimentos, se tornará 
muito provavelmente 
num adulto que 
não gosta de ler.” 

Bruno Munari 
“Das coisas nascem coisas” 

 

Os “Pré-livros” foram criados entre 1949 e 1952, e consistem numa série de 12 pequenos livros quadrados, de 10×10 cm, cada um com um tipo de encadernação, material e acabamento diferente. 

São livros sem palavras, que comunicam pelas imagens, pela linha de algodão que atravessa as páginas, pelos recortes e pelos materiais tais como a madeira, fel- tro, plástico, papel fino, papel grosso, livro transparente ou livro opaco. Todos esses materiais foram usados para aumentar o estímulo sensorial, o tacto, o olfacto, a audição; para além daquilo que habitualmente é explorado apenas com o estímulo visual. 

 



Pré-livros   |. Bruno Munari, 1850  

https://www.flickr.com/photos/officinacreativa/sets/72157603321794219/

 

 

Ao realizar essa colecção de livros, Munari pretendia que as crianças, ao interagir com esse material, aprendessem a “ler” as mensagens através das formas e texturas. 



 


 




https://www.ebay.ph/itm/314424196649?hash=item4935247e29:g:3pcAAOSw1qhj70rq

 



Os “Pré-livros” cabem na mão dos leitores mais pequenos, proporcionando estí- mulos variados (macio, duro, liso, rugoso, etc...), de forma a estimular a imaginação, cada página é um descoberta. O próprio Munari dizia que os livros deveriam estar cheios de surpresas, visto que a surpresa é igual ao conhecimento pela descoberta. 

Nesses pequenos livros feitos com diferentes tipos de materiais temos: um livro com ilusões de óptica, um com aventuras tácteis, um geométrico, um sobre ginás- tica, um de história natural, um de filosofia, uma história de amor, um com as cores do arco-íris, um livro transparente, um livro macio e um de ficção científica. 

 

A partir de formas simples e a mistura de materiais num único objeto, Munari cria projetos ilustrados de forma poetica. Ele não procura com estes poemas visuais dar respostas, mas sim acionar no receptor possibilidades, ou seja, a realidade é uma fonte de possibilidades infinitas. 



BIOGRAFIA

Munari, Bruno (1982) “Das Coisas Nascem Coisas”, Lx, Edições 70

Brandão, Lucas - “Bruno Munari, um dos principais nomes na teoria e prática do design”. Comunidade Cultura e Arte. [Em linha]. 2017. [Consult. a 10.12.2017]. Disponível em: https://www.comunidadeculturaearte.com/bruno-munari-um-dos- -principais-nomes-na-teoria-e-pratica-do-design/