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sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

“Grand Budapest Hotel”, Wes Anderson, 2014

  

“Para se ser Designer Gráfico ás vezes é preciso utilizar uma lupa, ou então o projeto é concretizado em dimensões de grande porte”, disse Annie Atkins, designer gráfica de renome. 

Neste caso, um dos grandes projetos em que a designer participou foi o filme “Grand Budapest Hotel”, de Wes Anderson, em que a mesma foi a diretora da equipa do departamento de arte do filme. 

“Grand Budapest Hotel” é um filme marcante pela sua cinematografia peculiar, pela paleta de cores utilizada, mas também pelo conteúdo de design gráfico que apresenta. A autora, e a representante do design gráfico do filme é Annie Atkins, em que a mesma, numa palestra dada em 2017, fala sobre os erros visíveis, a nível de design, que estão presentes neste filme. 


Annie Atkins explica que num filme não é suposto apercebermo-nos do trabalho gráfico que completa o cenário idealizado e criado, é suposto estarmos apenas presos à história e às personagens, mas, inconscientemente, reparamos no design concretizado. Por exemplo, quando, num filme, o espectador no decorrer do mesmo visualiza um sinal/letreiro a dizer “WALK not running”, o mesmo assume que a personagem irá parar de correr e começará a caminhar. 


A designer confessa que a primeira coisa que faz quando começa a trabalhar num filme é a leitura do guião. Assim, quando lê o guião, a mesma assinala as partes em que ela imagina o design na cena, em torno das personagens e do cenário previsto. No entanto, é importante definir, como designer gráfico, o período de tempo em questão e a localização do mesmo, onde o design irá ser colocado.



A designer relata diversos detalhes de cada peça projetada para o filme de Wes Anderson. E os diversos erros cometidos à medida que o filme foi rodado. Segundo a designer, é possível reparar nos diversos erros, tal como um simples calendário. Annie assume que, na realidade, quando o departamento de arte criou o calendário de parede na estação de serviço, não repararam se os dias colocados estavam certos com os dias de semana.

 




“Quando se vê uma personagem a ler um jornal no filme, alguém teve de o fazer, tudo é criado de raiz”

 

Um dos pontos de referência do filme de Wes Anderson são as “Mendl’s Box” em que foi cometido um erro de ortografia na palavra “Pâtisserie”. A mesma foi escrita com dois “t”. Este erro só foi notado quando o realizador do filme advertiu a designer acerca do mesmo, em que já tinham sido gravadas diversas cenas com as “Mendl’s Box”. Cada caixa foi pintada à mão, não havendo tempo para nova confeção das caixas das 2000 caixas produzidas. 

Algo que a designer conta na palestra dada, é que existe “Mendl’s Box” à venda online, e a diferença entre a falsificação do produto com o original do mesmo, é o erro na palavra “Pâtisserie”, escrita com dois “t”.




É importante referir que, como papel de designer gráfico, é necessário a criação de variás cópias do design projetado. Neste caso, durante a rodagem de um filme, quando é necessária a interação entre a personagem e o design gráfico projetado, o designer tem de estar preparado para a criação de várias réplicas do mesmo. Por exemplo, neste filme em questão, foram criadas várias réplicas do telegrama, rasgado, colado e coberto de sangue, pois existe uma interação entre a personagem e o objeto, porque são peças frágeis ou pode acontecer imprevistos/acontecimentos. 

 



Por fim, um dos erros mais falados e comentados quando foi o lançamento do filme “Grand Budapest Hotel”, questionou-se o porquê do facto das letras presentes no letreiro por cima do hotel, as mesmas apresentarem um espaçamento diferentes e não algo uniforme. A designer relata que quando criou o letreiro, a mesma se inspirou nos hotéis do período de tempo do filme em questão, em que o realizador aceitou e aprovou, tornando assim o mesmo como um “erro autêntico”, quase como imagem de marca do filme de Wes Anderson.


Annie Atkins diz que para ela poder fazer uma boa pesquisa quando é deparada com um trabalho novo em maõs, ela não recorre à internet, mas recorre a livrarias, a museus, a bibliotecas, etc... . A designer, para poder criar algo que se relacione com a época dos filmes, sente a necessidade de procurar os materiais, sentir a tentura, o peso, tudo aquilo que lhe dá vantagem para poder fazer um bom projeto. 

 

"Grand Hotel Budapeste", de Wes Anderson, 2014:

https://www.imdb.com/title/tt2278388/

Palestra de Annie Atkins, 2017:

https://www.youtube.com/watch?v=SzGvEYSzHf4 







 

 


sábado, 26 de novembro de 2022

“Viagem até casa”, de Bárbara Veiga, 2011

 

“Viagem até casa”, um filme rodado em 2010, fala sobre as ligações na cidade do Porto (Zona Ribeirinha, Miragaia, São Nicolau, Sé), usando o rio como memória de heranças e Aniki Bóbó como meio de inspiração. É um filme que remete as três gerações (criança + adulto + idosos), de modo a que a realizadora, Bárbara Veiga, pudesse obter diversos testemunhos, de diversas idades, perante o filme de Manoel De Oliveira, mas também as memórias perdidas e criadas na cidade que viu o realizador a crescer.

A intenção de Bárbara, com a concretização do seu documentário não ficcional, tinha como objetivo pegar num filme português, realizado na bela cidade do Porto, Aniki Bóbó, de Manoel De Oliveira, e criar um documentário de onde pudesse extrair as raízes e origens, os sítios e os locais, e também as personagens, do filme que usou como inspiração.

Aniki Bóbó, de Manoel De Oliveira, um filme de 1942, é uma longa-metragem que conta as aventuras e os amores das crianças de uma classe social baixa do Porto, em que mostra a história de três crianças. Teresinha, a adorada por todos, Eduardo, o tímido e o sossegado, e Carlitos, o audacioso e atrevido. Neste filme, Manoel De Oliveira utiliza as crianças como modo de demostrar os conflitos de interesse entre as classes sociais que o filme apresenta, no entanto, a nível critico, é considerado um filme percursor do neorrealismo italiano.


Bárbara Veiga, produziu e concretizou o documentário, desde a pesquisa necessária até ao lançamento do filme, durante vários anos, começando então a sua pesquisa durante o seu último ano de licenciatura (por volta de 1 ano para pesquisa), realizando um ensaio teórico no ano seguinte, e, por fim, mais um ano para a captação das imagens que pretendia e 7 meses para a montagem da sua curta-metragem.

Bárbara, uma pessoa muito ligada ao rio e aos barcos, produziu algo que cativou o público pela essência do documentário não ficcional, através das memórias e entrevistas que realizou a diversas pessoas, nomeadamente à personagem Teresinha (Fernanda Matos), aos familiares da personagem Eduardo e Carlitos, mas também a outras tantas pessoas que ia falando na rua.

Após o lançamento do tão esperado documentário não ficcional, Bárbara Veiga ficou conhecida e elevou o seu projeto a fim de o conseguir demonstrar em diversos locais, mas também países. Como não tinha noção do impacto que iria causar, a produtora não tinha nada criado (legendas, teaser, entre outras coisas) para além de um flyer, de apresentação do filme, e do filme em si. Após o reconhecimento merecido, Bárbara adaptou o seu filme às condições a que ficou sujeita (legendas, teaser, etc).

A realizadora/produtora revelou algo importante para a cultura cinematográfica portuguesa, em que com os poucos materiais que encontrou, concretizou algo reconfortante para o povo português e uma memória mais vivida sobre Manoel De Oliveira e a sua primeira longa metragem.


“Viagem até casa”, de Bárbara Veiga, 2011

https://vimeo.com/42401573

https://www.imdb.com/title/tt6770102/

"Aniki-Bóbó", de Manoel de Oliveira, 1942

https://www.youtube.com/watch?v=hA5doGzVhOI

domingo, 13 de novembro de 2022

Jaime, de António Reis, 1974

 

    Um filme criado por António Reis, com a ajuda de Margarida Cordeiro, retrata a vida de Jaime, um doente esquizofrénico que está internado no hospital psiquiátrico Miguel Bombarda, em Lisboa.

    A primeira parte da curta-metragem documental antropológica portuguesa retrata a vida de Jaime no hospital psiquiátrico, mostrando-nos filmagens do espaço em si e da vida monótona que os pacientes tinham no seu quotidiano. No entanto, à medida que vamos conhecendo o doente, somos submetidos a diversos planos sobre a arte que o mesmo produzia, entre desenho e pintura.

    Aos 65 anos, Jaime, para fugir à loucura dos seus pensamentos interiores, causados pela demência violenta que tinha, usava o desenho como meio de fuga/escape. Os seus desenhos, à medida que nos são apresentados, revela-nos o sofrimento que o paciente tinha dentro dele, em que o mesmo procura no seu pensamento o sentido que a vida lhe deu, o passado que se encontra cada vez mais distante, a terra onde nasceu e a cidade que lhe promoveu a demência em si. Ao mesmo tempo que desenhava e pintava, Jaime utilizava uma escrita abundante em diversos cadernos, quase como relatos do que acontecia, de forma grotesca.

    Como espectadora que visualizou a obra de António Reis, senti-me absorvida na curta-metragem documental deixando-me presa no emaranhado de memórias e arte do doente esquizofrénico. Através dos desenhos que Jaime criava, consegui perceber a escuridão que o mesmo continha devido aos traços carregados e às linhas deformadas que o mesmo usava. Visualizando graficamente, mas pondo-me no lugar de Jaime, o mesmo pegava nos pensamentos mórbidos que tinha e tentava, através da sua arte, encontrar a sua lucidez no mundo perdido onde se encontrava.

    Jaime usava frequentemente formas e linhas que, no seu todo, criava uma visão distorcida da vida aparente que tinha na sua mente e no seu mundo interior. É interessante o facto de como António Reis pegou na vida e na visão de um doente esquizofrénico, e tentou fazer com que o espectador se questionasse acerca da lucidez que o mesmo tinha, levando-me assim a pensar como funcionaria a mente de Jaime através da arte que “sobrou” do mesmo.


    É importante refletir sobre a banda sonora a que os espectadores são submetidos. Durante a visualização de um dos filmes mais marcantes do Novo Cinema Português, António Reis decidiu criar uma ligação entre o som e imagem, e para tal, à medida que o espectador é submetido a variadas imagens chocantes, tal como as condições do hospital, os pacientes que o habitavam e o local onde o rodeava, o cineasta utilizou sons agrestes criando um desconforto ao longo da curta-metragem. 


    Enquanto espectadora que consumiu vários tipos de arte e desenho à medida que a obra era apresentava, questionei-me se a vida de uma pessoa esquizofrénica se baseia apenas através das memórias quase esquecidas, não tendo referências sobre um futuro próximo ou um pensamento acerca do mesmo. Perante a obra, divago acerca do que realmente é a arte, se vivemos para a arte ou se a mesma depende nós para viver e existir. 

 


Curta-Metragem Documental: 

https://www.youtube.com/watch?v=G6XjuXPF__w

https://www.doclisboa.org/2019/filmes/jaime/

 

domingo, 30 de outubro de 2022

“Statues Also Die” de Chris Marker e Alain Resnais, 1953

 

“Quando os homens morrem, eles entram na história, quando as estátuas morrem, elas entram na arte. Esta botânica da morte é aquilo a que chamamos cultura.”

     O filme criado por Chris Marker e Alain Resnais, “Statues Also Die”, é um filme-ensaio que toca num dos assuntos mais problematizados da humanidade, os efeitos do colonismo europeu. Ao longo da exibição do filme, o espectador é submetido à visualização de inúmeras esculturas, máscaras e variadas artes tradicionais africanas, em que os artistas se focam na emoção dos objetos apresentados e percecionam uma discussão em torno da história europeia e contemporânea a nível artístico.

 

    Durante a visualização deste ensaio, ponderei se existiria uma relação entre a instituição-museu, uma das estruturas que os europeus criaram para a preservação da memória dos acontecimentos que consideraram mais significativos, e o filme “Statues Also Die”. Deste modo, refleti sobre o lugar e a importância dos museus nos nossos dias, tendo em conta em como os mesmos podem, servem e como podemos reinventar e resinificar.

    Se pensarmos bem, e refletirmos sobre o que nos é apresentado, tudo depois da morte é mais valorizado do que em vida. Neste caso, a arte só é considerada arte quando algo de errado acontece. É o erro da humanidade, é o erro que muitos de nós comete, acreditar e dar por garantido algo que na realidade não está. Vemos isso explicito na cultura, em toda a arte presente no mundo. É inacreditável que o ser humano criou um local, um sítio próprio, para se poder admirar a arte quando o próprio artista morre e não está presente. Chamaram a esse local de Museu, um estranho nome, mas estranho é o facto de terem criado algo para se admirar depois da abominável morte chegar.

    “Statues Also Die” é um filme-ensaio criado por Chris Marker e Alain Resnais para exibir o devastador impacto do colonismo francês na arte africana. O mesmo foi criado para mostrar que a arte africana perdeu a ligação com a sua cultura, em que o próprio Chris Marker revelou que:

         “Queremos ver o sofrimento, a serenidade e o humor mesmo que não saibamos nada acerca deles”.

    Ao longo do decorrer do filme, o espectador tem a perceção que a arte africana, em todas as esculturas e histórias apresentadas, perderam o seu simbolismo para com o colunismo europeu e morreram em museus. Mas, será que ao longo de 12 anos seguidos, o tempo em que o filme foi proibido em França, a população desacreditou na afluência que a arte africana tinha perante o mundo?



    O espectador é submergido em arte a cada imagem que passa. Conseguimos absorver a história por detrás de cada escultura, de cada detalhe e de cada palavra que o narrador nos apresenta. É importante referir que a cultura africana era muito mais que um povo, a cultura africana era a arte em si, escondida atrás de máscaras com significados poderosos:

“Art here begins in the spoon and ends up in the statue. And it is the same art. The wisdom in art and the ornament of a useful object like a head rest, and the useless beauty of a statue, belong to two diferente orders. Here this difference falls apart when we look closer. A chalice is not an art object, it is a cult object.” - de Chris Marker e Lauren Ashby, 2013, The Statues Also Die, Art in Translation.

    Durante os nossos dias, existem diversos museus com diversas artes e culturas, mas também com diferentes conceitos. Ao refletir acerca da potencialidade de um museu, sabemos que os mesmos podem querer atingir públicos alvos. No entanto, muitos dos museus não têm o devido reconhecimento ou respeito à cultura através do humano. Mas, se ponderarmos em todas as hipóteses e competências, existem variadas perguntas direcionadas ao âmbito da criação dos museus desde os tempos antigos.

    O que pode um museu? Para que servem os museus? Como os podemos reinventar? Como os podemos resinificar?

    Na verdade, um museu pode mudar a mentalidade de uma pessoa no que toca à questão de absorção de conhecimentos e matérias não faladas diariamente. Mas, a realidade, é que os mesmos servem para desvendar culturas e mistérios, maioritariamente acontecidos em tempos passados.

    O mundo a cada passo que dá reinventa-se por si próprio. À volta do mesmo, existem os criadores e os pensadores, que nos enchem os dias com inovações e experiências, que um dia mais tarde ficaram na memória. No entanto, no que diz respeito à reinvenção dos próprios museus, o ser humano tem a capacidade de pensar mais além, deixando-nos assim colocados na era da tecnologia e das artes media, criando programas artísticos e revolucionários para os nossos tempos.

    Mas, será que os museus podem ser resinificados? A meu ver, podem, porque cada ser humano pode dar um significado a cada museu, não a nível artístico, mas a nível pessoal. Cada pessoa pode dar rótulos e designações a coisas, espaços, seres e entre outros, deixando no seu arquivo pessoal, a que eu designo de memória, o conceito desejado ao espaço que visitou.


Filme-Ensaio: https://www.youtube.com/watch?v=jEsKZ_15nhs


segunda-feira, 17 de outubro de 2022

“I AM MOTHER”, obra de Emeke Obanor

 

    O que é ser mãe? O que é ser mãe quando a vida lhe exige um esforço sobrenatural? Não conhecemos nem a dor nem o esforço que a mesma faz, apenas sentimos a nossa, mas, no entanto, é algo que podemos ver a longas distâncias, até mesmo noutros países, noutros continentes, através de mares e oceanos.

    Ao visualizar e admirar a obra do artista, Emeke Obanor, fui submersa através do olhar de cada “mãe” e do papel que as mesmas têm neste mundo. Ridicularizar o papel da sociedade faz parte. É esperado que a mãe carregue nas suas costas tudo e todos, que represente vários papéis em diferentes palcos. No entanto, neste caso, a mãe serve uma casa, um marido e os respetivos filhos.

    Se observarmos a nossa própria mãe conseguimos ver a força e o esforço que a vida lhe exige. Assim, deste modo, o artista representou a sua mãe, e outras tantas nigerianas, como força e poder da natureza, pois todas foram submetidas a diferentes tipos de abuso.

    

"My mother must look beautiful all the time. Father comes home to a loving, beautiful and caring wife, who will always make him feel good about himself."

    A mulher não tem opinião. A mulher é quem cozinha. A mulher é quem educa os seus filhos. A mulher arruma e limpa. A mulher cala e consente. A mulher tem o dever de satisfazer o seu marido. A mulher é isto e aquilo.

    NÃO! A mulher é a força da natureza. A mulher é poder. A mulher tem o direito de se expressar. A mulher tem o direito que lhe cabe a ela e nada mais. A mulher é quem quiser. Em pleno século vinte e um a mulher ainda luta pelos seus direitos e deveres contra uma sociedade que abomina a raça feminina que ainda a vê como objeto para uso próprio.


    "My father constantly reminds my mother that she became his possession the day he paid her marriage bride price."

    O nigeriano nesta obra, o qual apresenta um projeto ainda por concluir, relata momentos da sua infância… No entanto, o mais importante, é o relato de memórias, de conversas com a sua mãe e momentos em que o mesmo presenciou o abuso do poder masculino, do seu pai, subjugando os maus tratos à sua própria esposa. À primeira vista, parece uma obra que representa a sociedade feminina, mas, por outro lado, quando a mesma é visualizada na sua íntegra somos abalroados com dezenas de memórias de maus tratos e abuso da mulher.

    Podia estar a descrever o tipo de composição, cenário e regras utilizadas nestas obras, mas não é isso que está em causa. A mulher deve ser falada e defendida, e a arte, como meio de expressão livre, permite dar uso à comunicação de variadas formas. “I AM MOTHER” é uma obra forte, comunicativa e elucidativa para mais um relato de uma mulher e dos sacrifícios a que é submetida.

    E se o homem se colocar no lugar da mulher? Ele desiste?


"Gender equality is unnatural in our home. My uncle ones told my mother, " you are a woman, with all your education, you will still end up in the kitchen".


Artista e suas obras:

https://www.emekeobanor.com/shades-of-gray#1