Linhas Cruzadas – Homenagem a Maria Augusta Bordalo Pinheiro
Algumas das obras de Maria Augusta Bordalo Pinheiro (1841-1915) em conjunto com as de Ana Silva, Joana Vasconcelos (1971) e Sonia Gomes (1948), estiveram em exposição no MNAC (Galeria Millennium bcp) entre 26 de fevereiro e 2 de maio de 2026. Linhas Cruzadas - com a curadoria de Maria de Aires Silveira e Filipa Oliveira, esta exposição focou-se na arte tradicional do bordado e o seu lugar como meio artístico na atualidade.
O espaço está dividido em quatro espaços, sendo o último, a única secção mais fechada. Este planeamento ajuda o visitante a sentir uma noção de progresso e seguimento entre as obras. A porta de entrada é também a da saída, proporcionando assim uma sugestão de reflexão à medida que se percorre de novo o espaço até à porta.
Na entrada encontramos uma zona com um conjunto de fotografias e obras de desenho da família Bordalo Pinheiro, colocando em perspetiva a relevância e influência que esta família de artistas teve na arte portuguesa do século XIX.
Fotografias da família Bordado Pinheiro
Obras da família Bordado Pinheiro
Os estudos de plantas destacam-se pelo meticuloso trabalho de Maria Augusta que podemos observar em várias obras com flores decorativas expostas nas salas seguintes. A sua dedicação em representar a flora e a sua análise cuidada é visível no desenho, pintura, renda e cerâmica.
Estudos de Maria Augusta
As rendas relembram as “casas das avós” onde é comum ver os moveis decorados com rendas, e também em certas casas tal como exposto nesta sala, as rendas como obras de arte na parede. Esta prática, apesar de se encontrar a entrar em desuso pelas gerações mais novas, ainda se verifica em casas antigas especialmente no interior do país.
Rendas de Maria Augusta Bordado Pinheiro
aplicadas em leque
A cerâmica é também um ponto de importância, desde os vasos delicados decorados com rendas também em cerâmica às obras de Joana Vasconcelos que conjugam a cerâmica de Rafael Bordado Pinheiro (1846-1905) com a renda em croché dos Açores.
Lagarto em cerâmica de Rafael Bordado Pinheiro e croché de de Joana Vasconcelos
O trabalho de Sonia Gomes
apresenta-nos uma escultura realizada com uma mistura de tecidos, rendas e
objetos de madeira. Hiato (2019), constitui um aglomerado de bolsas de
tecido e renda enchidos que estão pendurados por um cordão. Por baixo um outro
cordão com uma bola de madeira no fim relembra um pendulo. A estrutura
encontra-se parada, no entanto como observador a ideia de que uma leve brisa a acordaria
e que esta iria lentamente abanar de um lado para o outro, oferece diversas
interpretações a esta obra.
A instalação de Ana Silva, Portrait
de famille (2021), está colocada no fundo da galeria, ocupando metade de
uma sala com diferentes rendas e tecidos bordados que se interligam e por vezes
até se sobrepõem uns aos outros, criando uma espécie de rede. As rendas são
todas elas distintas no seu formato ou padrão, obrigando-nos a focar
individualmente em cada uma. Os bordados trazem a vida à peça, principalmente a
figura feminina que está vestida com um bordado vermelho repleto de pequenas
pedras brilhantes que chamam à atenção assim que entramos neta última sala.
Portrait de famille de Ana Silva (2021)
A exposição explora o papel da mulher na sociedade através das diferentes obras têxteis das artistas incluídas nesta exposição, que utilizando um meio artístico tradicional e tipicamente reproduzido por mulheres desde a sua invenção, fazem homenagem a uma importante artista portuguesa que revolucionou a arte e educação artística da renda em Portugal.
| Fotografia de Maria Augusta Bordado Pinheiro e discipulas Escola Industrial D. Maria Pia, Peniche (c. 1887) Folha de leque em renda por Maria Augusta Bordado Pinheiro |