Mostrar mensagens com a etiqueta 13840. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 13840. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 30 de novembro de 2021

 “Uma fotografia é um instante de vida capturado para a eternidade”

O cérebro humano é uma máquina, com a incrível capacidade de armazenar diversas memórias. No entanto é limitado e por esse motivo nem tudo pode ficar arquivado.

Lembro-me em pequena, da minha mãe transportar consigo uma máquina fotográfica de rolo, ao pescoço, para qualquer lugar que fôssemos. Ela tinha alguma necessidade em registar os momentos. Poucas foram as vezes que pressionei o botão para capturar algo, mas muitas são aquelas em que apareço na captura. Desde então que sempre tive a curiosidade de recorrer à visualização dessas fotografias, que relatam essencialmente, a minha infância e a da minha irmã. Na verdade, creio que talvez tenha herdado esse encanto pela fotografia e a constante necessidade de registar os momentos graças à minha mãe. E também creio que parte da minha memória de infância é derivada das inúmeras vezes a observar os álbuns.

Antes da existência da fotografia, os momentos eram captados através de pinturas rupestres e mais tarde através de pinturas realistas de grandes pintores. Através da popularização das máquinas fotográficas, as fotografias passaram a fazer parte do nosso dia-a-dia. A origem e o desenvolvimento da fotografia proporcionaram-nos a descoberta da nossa própria identidade. É através da fotografia que captamos momentos únicos, que jamais se repetirão. Aliás, o principal objetivo da fotografia, é tornar momentos únicos em algo eterno. É ela que testemunha o que realmente ocorreu naquele instante. A fotografia vai muito além de umas meras recordações. Ela é responsável por desvendar a nossa história, a nossa identidade, a nossa evolução, as nossas grandes conquistas, os lugares que visitámos e as pessoas que conhecemos. Ela não pode de forma nenhuma ser vista apenas como uma simples fotografia. Ela tem que receber o enorme valor que representa nas nossas vidas, pois é ela que nos dá provas daquilo que mudou ou não e daquilo em que nos transformámos.

É bastante importante conservar aquilo que já vivemos, pois a fotografia é capaz de despertar diversas emoções ao reviver uma memória antiga. Temos assim, a possibilidade de reproduzir esses episódios, nas nossas mentes, acrescentando ainda alguns pormenores não capturados mas que nos recordamos ao reviver essa imagem. Também é possível observarmos as nossas fotos de infância e não termos memória suficiente para recordar aquele momento que vivenciámos. Nessas alturas, a mente é capaz de produzir uma história e é aí que começamos a imaginar e a relacionar com memórias de que nos recordamos. Acaba por ser como uma espécie de um puzzle, em que vamos encaixando as peças até o completar. Neste caso o puzzle é a narrativa da nossa vida. 

No entanto, para nos podermos lembrar de algo que aconteceu ou de alguém, precisamos de ser estimulados a isso. O estímulo visual, através de imagens, para que nos possamos recordar de tudo com mais facilidade é essencial para a nossa memória.


Referências:

terça-feira, 9 de novembro de 2021

“Nem todos os livros servem para ler”


O livro de artista é um corpo sem forma fixa e em constante mudança. Não possui limites, barreiras, parâmetros ou definições concretas. Trata-se de uma obra de arte que se incorpora ao formato do livro ou, então, que faz do livro a sua base para dar vida a uma criação artística. 

Quando se pensa na palavra “livro” qualquer pessoa sabe aquilo que é. Podem ser de diversos formatos (retângulo ou quadrado), para diversos públicos-alvos (novo ou adulto), com temáticas completamente distintas e com poucas ou muitas páginas, mas no fim, todos sabem facilmente  identificar um e a sua utilidade. No entanto, nem todos os livros servem para ler. Quando cruzamos a vertente da leitura com a arte, o livro ganha um novo conceito. E é exatamente isso que acontece com os livros de artista de Susan Hoerth e com os livros de artista de Kelly Campbell Berry. Os livros deixam de ser meras páginas preenchidas por palavras, para se tornarem arte, neste caso, esculturas.

Ambas as artistas procuram relatar clássicas/os histórias/contos de infância, somente através das suas esculturas de livro. Isto é, reunem um conjunto de imagens através de recortes e colagens, que dão origem a uma montagem que descreve tudo o que acontece na história. Acaba por ser um pouco confuso entender e visualizar a história ou o conto na minha opinião, mas é interessante e graficamente maravilhoso ao mesmo tempo. Talvez esta grande montagem, de ilustrações simultâneas, justifique a opção por histórias clássicas, para que se consiga visualizar imediatamente a história descrita através de uma só imagem.

Susan e Kelly procuram também reutilizar aquilo que já existe, dando-lhe a possibilidade de prolongar a sua existência e torná-lo mais interessante e inovador. Isto é, dar uma nova vida a livros antigos com algum desgaste e em péssimas condições. Algumas páginas já rasgadas, outras soltas, por vezes sem conter já a própria capa, afetados pela humidade, entre outros fatores. Uma nota ainda importante à cerca dos livros a esculpir, é que estes não podem ser mesmo muito antigos pois as páginas seriam bastante frágeis para trabalhar. E outro exemplo a evitar é também os livros feitos com papel de jornal, pois o papel dobra e enruga muito facilmente.


Qual o processo para dar origem à escultura de um livro?

Primeiramente, procura-se o meio do miolo e abre-se o livro.

Retiram-se todas as partes indesejáveis, deixando presente somente as ilustrações que se pretendem utilizar. O processo anteriormente referido é aplicado às páginas que estão de frente para o público quando o livro está aberto ao meio. No caso em que as ilustrações estão no verso das folhas, ou seja, “de costas” para o público alvo, são removidas e os detalhes importantes recortados. Estes detalhes, ou seja, as ilustrações removidas, são colocadas e coladas numa nova posição para interagir com as outras peças. O livro é portanto "escavado" em torno das ilustrações desejadas. 

Também acontece algumas vezes as ilustrações necessárias estarem em ambos os lados das páginas, como nos livros infantis por exemplo, e nesse caso é necessário comprar duas versões do mesmo livro para se conseguir completar a escultura.



Kelly e Susan abordam os livros de artista de uma forma bastante semelhante. De qualquer forma, os livros de Kelly são mais interessantes no meu ponto de vista, porque ela aborda livros com muita variedade de cor e cores também muito energéticas, ao contrário de Susan que utiliza essencialmente tons suaves e ilustrações mais do género vintage. Inclusive nas ilustrações sem cor, Kelly procura registar apontamentos de cor para tornar o resultado final mais interessante e comunicativo.



Exemplos de livros de Artista de Kelly Campbell Berry:





















Exemplos de livros de Artista de Susan Hoerth:






































Referências:

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Livro de Artista

O que é um livro de artista? 

 Antes de nos questionarmos sobre o que é um livro de artista, é importante saber o que é um livro e o que é um artista. “Um livro é um conjunto de folhas ou de cadernos, manuscritos ou impressos, reunidos ordenadamente e cosidos ou colados num dos lados, de modo a formar um volume, geralmente protegido por uma capa de material resistente”. “Um artista é uma pessoa que se dedica à criação estética ou a uma atividade artística”. 

 Os artistas, sobretudo os pintores, sempre intervieram na colaboração e elaboração dos livros, pois eram eles os responsáveis pela sua decoração e ilustração. No entanto, no século XX, os artistas intervêm neles de uma forma diferente. São eles próprios os donos dos seus livros, assumindo e acompanhando todas as etapas de realização dos mesmos – são os editores, os produtores, paginadores, autores dos textos e imagens, encadernadores e distribuidores. Ou seja, o livro de artista é integralmente concebido e realizado pelo artista, é da sua inteira responsabilidade e autoria. 

 O livro de artista surge principalmente na década de 60. A altura em que os artistas procuravam outras formas de interagir com o universo da arte. Estes são entendidos neles mesmo como obras de arte habitualmente realizadas sobre a forma de um livro. Não existem regras nem estruturas definidas, é um espaço de trabalho e experimentação. Os livros de artista podem ser criados através de livros já existentes ou podem ser feitos de raiz, e quando não se começa pela base de um outro livro, é necessário pensar no formato que este irá ter. A resposta para isso, é saber qual é o conceito desse trabalho, assim descobrirse-á mais facilmente qual a melhor forma de apresentá-lo. Qualquer pessoa com um desejo artístico ou comunicativo pode fazer um livro de artista, sendo essa a principal função deles, comunicar algo. E geralmente o livro de artista é publicado em poucas ou unicamente numa tiragem. 

 O livro de artista não possui uma forma fixa, não possui limites, restrições, parâmetros ou uma só definição. Ele é livre, possui diversas formas. Este também ganha liberdade em relação ao tipo de material. Quando pensamos em livro idealizamos algo construído através de folhas de papel. No entanto, no livro de artista este pode assumir folhas de papel, como qualquer outro material que o artista deseje utilizar, como por exemplo: acrílico, carne, pano, madeira, colagem, aguarelas, fotografias, linhas, etc. Na maioria das vezes os livros de artista não possuem palavras e o formato mais conhecido é o formato “concertina”. Fechados parecem livros normais e abertos apresentam recortes e aberturas que possibilitam a projeção da sombra. Para um livro se tornar um livro de artista, este necessita da interação do público. 

 Nos casos em que o livro pode ser folheado, as páginas não são numeradas. Cada página pode apresentar um trabalho distinto, formando no final um conjunto de trabalhos. Esse conjunto de trabalhos irá formar uma narrativa. Na realidade, a narrativa do livro de artista muitas vezes é feita somente através da imagem. No entanto, qualquer objeto que permita a leitura, seja de papel ou outro material, pode também ser assumido como um livro de artista.

 Eu pessoalmente, confesso que após as pesquisas realizadas e a leitura de diversos pontos de opinião, defendo que o livro de artista deve ser algo próximo do formato de um livro, algo que mantenha uma relação de proximidade, que me faça pensar que pode ser um livro embora não tenha que ser composto por folhas de papel. E também sou a favor do livro de artista ser um objeto único, porque acredito que a arte é única e que perde o seu valor e o seu significado quando replicada. 

 Estes são alguns exemplos de livros de artista que considerei interessantes:

Artur Barrio


Barton Lidicé Benes


Carla Rebelo


Autor desconhecido


Autor desconhecido


Autor desconhecido


Helen Malone


Joni Mabe


Judy Barrass


Kia Frank


Kyra Clegg


Sharon Sharp


Susan Hoerth


Waltércio Caldas


Referências: 

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/livro 

https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/artistas 

https://www.youtube.com/watch?v=rQy42e7UlBUhttps://www.youtube.com/watch?v=t7MNts1i_nQ

https://glassesfox.medium.com/o-que-%C3%A9-um-livro-de-artista-54c256cd38a9

https://www.domestika.org/pt/blog/4622-o-que-e-um-livro-de-artista