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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Newton’s Fault by José Dávila (Konig Galerie Fev’18)

José Davilla, artista mexicano sediado em Guadalajara, arquitecto de formação, apresenta-se pela segunda vez a solo na Konig Galerie entre Janeiro e Fevereiro de 2018.
Dávilla destaca-se através de uma grande diversidade de meios e considera-se um artista self-taught com uma formação intuitiva.
O se trabalho resulta tanto de uma preocupação em levar a resistência dos materiais e das concepções de forma ao seu limite como de uma apropriação e recontextualização de obras de arte, questionando-as e colocando-as num contexto contemporâneo.
É bastante visível a sua procura pelas polaridades e pelas linhas ténues que de certa forma as unem.
'The stone that the builder refused', foi a sua instalação para a Konig Galerie em 2017, parte da sua série Joint Effort, onde desenvolveu vários estudos sobre o espaço, utilizando uma grande variedade de materiais e aplicando uma meticulosa gestão de equilíbrio e força, gerando assim composições com uma tensão incrivelmente harmoniosa.
Regressa agora, um ano mais tarde, com 'Newton's fault', onde cria novamente uma instalação site-specific, onde as particularidades do espaço são integradas na dinâmica da escultura. Duas pedras em bruto estabilizam o jogo de forças entre vigas de metal. As pedras como fruto da natureza, vulcânicas, e as vigas como fruto das mãos do homem.
A maçã é colocada na instalação de forma simbólica. Cita a física, com Newton e a lei da gravidade, mas ao mesmo tempo refere um lado mitológico e religioso com o símbolo do pecado.
Há uma harmonia e um balanço muito delicados nas estruturas criadas por Dávilla. Os seus trabalhos regem-se pela sua própria lógica numa busca pelos limites das leis da física, onde a forma é uma consequência do processo. As suas peças são montadas com um grande nível de delicadeza, e destacam a intervenção humana que transforma o espaço e traz novos significados ao objecto.

A exposição estará patente até 25 de Fevereiro deste mesmo ano.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Shadow Soundings, Bill Fontana (Maat, Out17-Fev18)

No passado mês de outubro, o Museu de Arte, Arquitectura e tecnologia (MAAT) celebrou o seu primeiro aniversário. Durante a sua curta existência já contou com mais de meio milhão de visitas, distinguindo-se de qualquer outro museu público em Portugal.
O edifício, projecto da arquitecta britânica Amanda Levete, destaca-se a nível arquitectónico, tendo recebido recentemente uma menção honrosa nos Blueprint Awards. Ainda que o edifício chame à atenção dos observadores, a curadoria do museu também tem dado que falar.
A propósito da celebração, a 3 de Outubro foi inaugurada a instalação "Shadow Soundings", obra encomendada a Bill Fontana,
a quarta obra a passar pela Galeria Oval do museu, e estará patente até Fevereiro de 2018.

O caminho de Bill Fontana atravessa a composição e acaba por repousar na arte sonora. Aclamado internacionalmente como um dos revolucionários do sound design, Bill, pupilo de Cage, vem, desde a década de 60, presenteando o mundo com o som do que diz não ser ouvido ou ser percepcionado como ruído. É com esta premissa que chega a Lisboa, trabalhando sobre o que diz ser o som das sombras, da icónica ponte 25 de Abril.

A ponte rodo-ferroviaria, que atravessa o Tejo no seu ponto mais estreito foi inaugurada em 1966 sob o nome de Ponte Salazar, passando a chamar-se Ponte 25 de Abril após a revolução dos cravos. Tendo cerca de 2.2Km de comprimento, foi, à data da sua inauguração, a maior ponte europeia. É constituída por dois tabuleiro, sendo que o superior que se destina à rodovia e o inferior à via férrea. A  ponte que recentemente proporcionou um novo olhar sobre a cidade através do mais recente miradouro Lisboeta, tem agora um novo olhar sobre a mesma.

O interesse de Bill pela interacção com diferentes tipos de estruturas e espaços arquitectónicos não é novidade e o número de composições e esculturas sonoras que soma no seu currículo não tem parado de crescer.
Uma das suas mais recentes obras surgiu no 75º aniversário da Golden Gate bridge, lugar ao qual já tinha dado “voz” com uma escultura sonora 25 anos antes e onde agora se estreou com a utilização de vídeo nas  suas instalações.
São inúmeras as comparações com a Golden Gate Bridge, Fontana considerou até estabelecer um diálogo entre as duas, mudando no entanto de ideias depois de visitar ponte Lisboeta. Bill diz que a ponte canta. Fala do som abstracto que se ouve à distância e no local, este som, que acaba por fazer parte do quotidiano dos mais de 300 mil utilizadores diários da ponte, é muito familiar aos Lisboetas e acaba por fazer parte do soundscape da cidade.




À entrada do museu ouve-se o Tejo, não só pelo museu ser ao lado do rio, mas porque a instalação de Bill Fontana começa
a guiar-nos para o seu ambiente de imersão antes de cruzarmos sequer a porta principal. No entanto, assim que o fazemos,
continuamos a ser acompanhados pelo som das àguas e encaminhados para a guturalidade das sombras sibilantes.
Aquando na galeria oval, podemos observar 7 painés suspensos, de diferentes dimensões, como podemos verificar na foto
acima. Nestes painéis podemos observar diferentes perspectivas da ponte, e também, do rio em si, ao mesmo tempo que
estamos rodeados por 34 monitores, divididos pelo anel interior e exterior da galeria. Ao dispor de todos os visitantes,
encontram-se também vários “puffs” cinzentos, diria, cuidadosamente colocados ao redor de cada um dos painéis.

Torna-se bastante claro o carácter imersivo desta obra.
O auxílio da alta tecnologia está patente no seu trabalho. Em Shadow Soundings, em particular, Bill instalou na ponte
25 de abril vários acelerómetros, hidrofones e câmaras de vigilância, que permitiram a transmissão em tempo real tanto
de imagem, como som, ainda que a obra seja o resultado deste mesmo live stream com material previamente processado.
A título de curiosidade devo referenciar a app interactiva existente no site do Maat, onde os visitantes são convidados a
compor as suas peças com samples vindos da ponte 25 de Abril. Uma versão simplificada, com 4 canais onde podemos
ouvir isoladamente 4 das partes integrantes da peça sonora, procurando assim uma aproximação ao visitante, gerando
também um novo entendimento e percepção da obra.
Bill, defende que se pode ouvir o mundo com uma perspectiva musical, e também que ouvir é uma forma de compor.
O mundo do soundscape vem trazer a ouvidos desatentos a beleza do som que circunda o nosso quotidiano, vem trazer
para primeiro plano os planos de fundo, e dar voz ao som da existência.
Devo dizer que esta perspectiva me fascina. A beleza da transformação está aqui, em que a escuta.