quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

“Viajando” com o livro


“Viajando” com o livro

 Introdução

  Como aluno do Mestrado de Práticas Tipográficas, suscitou-me a curiosidade de efetuar uma pesquisa sobre a História do Livro. Visto tratar-se de um assunto tão complexo, limitei-me a selecionar alguns aspetos mais relevantes.

O livro faz-nos recuar e refletir sobre as suas transformações físicas, desde as transformações materiais dos suportes sobre os quais o homem começou a escrever, dos ossos de mamíferos e cascos de tartaruga até estelas de pedra da China antiga1 e tabletes de argila da Mesopotâmia.

2-    Do Papiro ao Pergaminho

Como é óbvio, o livro está diretamente associado à escrita, pelo que tive de  recuar até ao Egipto Antigo em que a escrita era feita no papiro , porém era exclusivamente executada por uma classe de escribas responsáveis pela leitura e fabricação dos textos oficiais e religiosos. 


Papiro no Antigo Egipto com escrita hierática


Segundo pesquisadores, as peças de papiro mais antigas já encontradas foram concebidas há três mil anos antes de Cristo.

Outro suporto para a escrita desenvolvido na antiguidade, obtido a partir da pele de um animal, em especial cabra, carneiro, cordeiro ou ovelha era o  pergaminho.

 

Este  era uma referência à cidade de Pérgamo, na Ásia menor, onde sua fabricação alegadamente se iniciou.

 

Fiquei a saber que os primeiros pergaminhos eram quase iguais às peles de melhor qualidade da época (vellum), mas, durante o primeiro milénio a.C. desenvolveu-se uma técnica com a qual se obtinha um material de escrita melhor e mais branco.

   Ao efetuar uma pesquisa , fiquei a saber que prieiro as peles eram mergulhadas em água de cal e os pelos eram retirados. Depois, voltavam para um banho de cal e a seguir eram resfriadas sobre uma armação para secar.

   No processo de secagem, a pele  era desbastada, com todo o cuidado, com o auxílio  de uma lâmina em forma de meia lua, tornando-a muito fina. Depois de secas, as peles eram lixadas com um pó fino de pedra pomes.

   Tal como se verifica, na imagem ,o pergaminho era cortado em folhas retangulares que, como as folhas de papiro, eram unidas umas às outras pelas extremidades para poderem ser enroladas.

   No primeiro século d.C. descobriu-se um modo para guardar pergaminhos muito mais conveniente que os rolos. Cada folha retangular passou a ser dobrada uma, duas ou três vezes, cortando-se as bordas e formando assim um fólio, quarto ou oitavo. Essas folhas eram então encadernadas em capas de madeira fina e lisa. Tal volumen, como era chamado, deu origem aos livros, tais como são conhecidos atualmente.

Eis alguns exemplos de escrita:



Inscrições romanas

                 

3-    Do Pergaminho ao papel:

 

Na China, começou-se a  fabricar o papel, no qual empregavam inicialmente a polpa fibrosa que se encontra sobre a casca da amoreira. No século XIII, o papel começa a ser fabricado em diversos países da Europa, substituindo gradualmente o pergaminho, devido aos custos menores e simplicidade de manufatura. Até então, tanto na China como nos países islâmicos, o processo era completamente manual. Isso mudou em continente europeu, pois, ao utilizar refugo de linho para a fabricação de papel, surge a ideia de adaptar os moinhos de água para transformar os trapos em polpa. Desse modo, logo no final da Idade Média, algumas operações de fabricação do papel já utilizavam processos industriais.

Por volta do século X a. C., a organização dos documentos escritos ganharam maior funcionalidade com a invenção dos pergaminhos. Apesar de não terem a mesma praticidade dos encadernados, essa base material foi de suma importância para a preservação de importantes textos da Antiguidade, como a Bíblia Sagrada e os escritos de alguns pensadores do mundo clássico. Vale a pena frisar que a qualidade e a resistência dos pergaminhos era superior à do papiro.


 O Livro na Idade Média

    Durante a alta Idade Média a produção de livros esteve restrita aos meios religiosos. Nos Mosteiros, faziam-se  cópias à mão de livros considerados importantes na época, entre eles estavam às obras clássicas de outros .

   O domínio do  cristianismo, conservava as obras de escritores pagãos como  um mal necessário, pois só nelas se encontravam noções essenciais sobre filosofia que contribuíram para o desenvolvimento da teologia cristã. É interessante notar que as bibliotecas dos mosteiros estavam divididas em duas partes, uma para os livros pagãos e outra para os livros cristãos. Isso para facilitar a pesquisa e impedir que os religiosos lessem obras pagãs caso esse não fosse seu desejo.

      

   Os monges trabalhavam no cultivo e na criação. Alguns, porém,  passavam todos o tempo na biblioteca, copiando e estudando  as obras dos grandes escritores da Antiguidade, sobretudo gregos e romanos. Eram os monges copistas. Eles produziram verdadeiras obras de arte. Nas margens das páginas, desenhavam ilustrações (iluminuras),  utilizando um tipo de letra que hoje conhecemos como gótica.




Ilustração de um monge copista





Texto com iluminuras e letra gótica


A Invenção da Imprensa com Guttenberg



 

                          

Na imagem acima, Gutenberg (à direita) manuseia um panfleto

    

Gutenberg desenvolveu um sistema mecânico de tipos móveis que deu início à Revolução da Imprensa, e que é amplamente considerado o invento mais importante do segundo milénio.

Gutenberg foi o segundo no mundo a usar a Impressão por tipos móveis, por volta de 1439, após o chinês Bi Sheng no ano de 1040, e o inventor global da prensa móvel.

O uso de tipos móveis foi um marcante aperfeiçoamento nos manuscritos, que era o método então existente de produção de livros na Europa, e na impressão em blocos de madeira, revolucionando o modo de fazer livros na Europa. A tecnologia de impressão de Gutenberg espalhou-se rapidamente por toda a Europa e mais tarde pelo mundo.

 



Também conhecida como a Bíblia de 42 linhas), foi aclamada pela sua alta estética e qualidade técnica.


 

Do papel ao digital



Ainda existem poucas obras disponíveis mas, pouco a pouco, a nossa biblioteca se irá tornar numa referência para quem gosta de literatura e fala português. Pelo menos assim esperamos



 João Carlos Canotilho | @canotilho_ | 14600

Estudos Avançados de Cultura Visual | Prof. João Queiroz | FBAUL | 2022/2023

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