
Quando estamos perante a parte
lateral e da frente da Casa-Museu, podemos dizer que tem uma boa leitura
informativa para a estrada estreita, antiga e com muito transito. Encontra-se
num cruzamento apertado com estradas estreitas, mas com estacionamentos.
Chegamos à porta da entrada, e deparamo-nos com um pátio-jardim de uma beleza calma, romântico, muito bem cuidado, e imaginando os belos fins de tarde sentados nos verdes bancos do jardim. Olhando em volta, podemos observar dois símbolos pessoais criados por Leal da Câmara: um Coração grande e escrito sobre uma das portas principais e um Brasão com dois Corações Coroados sobre a porta de saída. Com quarenta anos, Leal da Câmara, encontra o amor da sua vida e casa em 1920 com Dª Júlia de Azevedo(20 anos mais nova). Adquire a casa Saloia na Rinchôa, restrutura para residência e cria o seu ateliê tornando-a no seu Canto de Amor, “Corações Coroados”, símbolos criados e deixados por tão grande amor que nutria pela sua esposa.
Deparamo-nos com a fotografia de Leal da Câmara, que nos recebe, com um sorriso desafiador e que nos fixa com os seus olhos grandes e argutos. De Nome, Tomás Júlio Leal da Câmara, nasce em Pangin (Nova Goa), a 30 de novembro de 1876. O Pai, Oficial do Exército, de nome Eduardo Inácio da Câmara e descendente de um dos bravos de Mindelo. A mãe, Emília Augusta Leal, pertencente a uma das famílias de maior prestígio, residente na India Portuguesa. Leal da Câmara teve uma educação calma, mas desde cedo apresentou uma irreverente personalidade, e desde os 11 anos que gostava de desenhar. O pai decidiu o melhor caminho para ele, estudar agronomia e veterinária. O pai morre cedo, Leal da Câmara, deixa de estudar e troca tudo pela profissão de jornalista, a qual ele sempre a desejou. Com a sua personalidade critica e humorística do desenho caricatural, ele vai andar entre Portugal, Espanha e França. Foi o Mestre Leal da Câmara que inaugurou, a 16 de setembro de 1945, o seu Ateliê-Museu ao público e a todos os que estivessem interessados no contacto e o intercâmbio de ideias com o mundo exterior, a qual foi a primeira “tentativa de musealização”. Em 1965, depois da sua morte, é incorporada no património da Câmara Municipal de Sintra. Dª. Júlia trata de tudo, este projeto sempre foi dos dois. A Casa-Museu vai sofrendo várias alterações ao longo de todo estes anos, mas sempre sem descaracterizar o que resta da traça original.
Quando se sai da Sala, entramos no quarto espaço: abre-se uma sala enorme onde se encontra exposto parte do espólio de objetos de família,
pinturas, desenhos, caricaturas, jornais, postais, fotografias, Certificados,
Diplomas de Leal da Câmara. A Exposição
museológica está organizada cronologicamente por idade, por temas e pelo
percurso de vida do Mestre. Família, Caricaturas do rei D. Carlos, Monarquia Espanhola, França, Républica Francesa e Portuguesa, 1º Guerra Mundial, 2º Guerra Mundial e personalidades e amigos. Está dividida por oito espaços de exposição com placares de madeira, e por um corredor central denominado o“Caminho da
Aprendizagem”. As obras estão expostas em placares de madeira separados e, placares em forma de vitrines para os objetos ou desenhos. A maior parte das obras
encontram-se emolduradas com vidro e/ou protegidas pelos vidros das vitrines. A iluminação
da sala é boa, mas um ponto fraco que encontramos são os vidros, não são
antirreflexos, dificultando a leitura das obras. No oitavo espaço expõem semanalmente uma obra em contato com o público. O circuito da visita ao museu é fácil, organizado e bem planeado. Encostado à
parede, das janelas, encontram-se diversas vitrines expondo todas a edições de
livros, catálogos, postais, folhetos, desdobráveis que a Câmara de Sintra
publicou, ao longo dos anos, sobre o artista Leal da Câmara e a Casa-Museu.
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| Desenhos com 11 anos |
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| Esbosço da planta da sala de exposição realizado durante a visita. |
Por último, descemos umas escadas de madeira que nos vão levar à cave, um espaço com as mesmas dimensões do R/C, e com diversas janelas. No início encontramos a "Sala de Palestras e Conferências". No lado direito encontramos o "Espaço das atividades Educativas" para crianças e jovens, e onde se encontra a Exposição Temporária. Em frente encontramos uma sala mais pequena, a qual, é o ateliê do artista. Na entrada do ateliê está exposta a última tela, iniciada e inacabada, do Leal da Câmara, sobre a feira das mercês. Encontramos ainda, autorretratos, caricaturas e retratos que lhe ofereceram. A secretária onde trabalhava e dava as suas aulas, contêm ainda o material e objetos de desenho, expostos. As paredes são corridas com vitrines expondo: tintas, pincéis, lápis, canetas, diários gráficos, instrumentos auxiliares para desenho e trabalhos artesanais, réguas, esquadros que ele utilizava para dar as suas aulas. Quando abrimos a única porta desta sala entramos para um lindo e enorme jardim, muito bem cuidado e conservado, com um recanto construído com uma mesa e bancos de pedra. Um lugar que deve guardar em si os sons dos diversos lanches e conversas que o artista e a sua esposa devem ter organizado, para os amigos.















































