A sala comprida que recebia a exposição de Silvestre Pestana parecia uma cena de ficção científica. A sala estava praticamente vazia, éramos apenas três visitantes naquele momento.
Antes de chegar aos painéis, há uma escultura no início da sala, uma estrutura metálica com hastes que irradiam de um centro. Pensei imediatamente num satélite. E se era um satélite, o resto da sala eram as mensagens que ele captava, palavras a chegar de todo o lado, sem ordem, sem hierarquia, num ritmo que não parava.
Um peão corre sem sair do lugar ao lado da palavra "ruptura". Noutro, "AUSÊNCIA" aparece a vermelho no fundo da sala, sobreposta por "REP-ROG-RAM-ADA" em azul-ciano. São imagens simples, mas difícil não ficar em estado de hipnose.
Silvestre Pestana trabalha com poesia visual desde os anos sessenta, e o curador João Laia descreve Colapso como o "poema mais ambicioso" do artista. O que a exposição mostra é que o território que Pestana explorava, a relação entre tecnologia e linguagem, aqui quis que deixasse de haver essa fronteira. Hoje vivemos rodeados de ecrãs com palavras que piscam, e já quase não reparamos. A exposição coloca isso dentro de uma galeria e pede-nos que paremos para olhar.
Fotografias © Lais Pereira