MNAC
O Museu Nacional de Arte
Contemporânea – Museu do Chiado (MNAC) ocupa parte do antigo Convento de São
Francisco da Cidade desde 1911, convivendo ao lado da antiga Academia de Belas
Artes agora Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Sofreu obras em
1994 pelo arquiteto francês Jean-Michel Wilmotte e em 2015 adquiriu também o
edifício do ex-Governo Civil de Lisboa, na Rua Capelo. Deste modo o museu
passou a ter dois locais de acesso ao exterior.
Existem
três pisos, sendo no piso 0 (Galeria [PeP] e Sala Polivalente) e no final do
piso 3 (Galeria Millennium, Galeria Capelo Sul e Galeria Capelo Norte) os
espaços dedicados às exposições temporárias. No piso 1 (pontes, Jardim de
Esculturas e Galeria Um), piso 2 (sala dos fornos) e no início do piso 3
(Galeria Serpa Pinto) o lugar da exposição de longa data do MNAC Impressões
digitais – Coleção do MNAC, orientada pela anterior diretora do museu Emília
Ferreira. A atual diretora é Filipa Oliveira que entrou em cargo no ano de
2025. Este conjunto de obras inclui a variedade da inovação e criação artística
contemporânea nas obras expostas, explorando diferentes materiais em áreas
artísticas distintas como a pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo e
instalação, dando ênfase a artistas portugueses.
O Jardim das Esculturas encontra-se temporariamente encerrado para manutenção, sem qualquer previsão para a reabertura.
Atravessar
o museu pareceu uma aventura, o trajeto apresenta subidas e descidas, escadas,
rampas e pontes, levando o visitante a querer explorar todos os espaços a
procura dos “tesouros” escondidos nas suas paredes e salas. Para um caminho
mais acessível o elevador oferece um short cut aos que precisem ou
prefiram. Os espaços amplos permitem a circulação e indicam-nos o caminho a
percorrer.
O charme na entrada do museu encontra-se no esqueleto do edifício antigo que expõe entre as paredes brancas o tijolo que nos acompanha até à sala dos fornos. Estes são ainda visíveis como se eles próprios fizessem parte da coleção e não do edifício, tal como os alçapões que agora cobertos por vidro permitem ao visitante uma visão de um andar para o outro com uma perspetiva peculiar para as obras que se encontram nesse espaço. A partir deste ponto entramos num circuito onde as paredes brancas são conjugadas com paredes azuis e verdes guiando-nos nesta aventura até ao final da exposição de longa duração do museu.
Parte
desta noção de exploração do desconhecido provém do facto de que o museu não tem
um mapa disponível, seja em versão física ou digital visto que o site oficial
do museu está neste momento de acesso indisponível, o que pode criar alguma
confusão. O visitante no fim da visita depara-se com uma saída diferente da
entrada e no caso de ter usufruído dos cacifos na sua chegada tem então duas
opções, a de sair do museu e fazer a volta pelo lado de fora ou a de retraçar
os seus passos fazendo de novo o caminho como se regressasse a casa.
O artista Columbano Bordado Pinheiro foi um dos diretores do museu e é um dos artistas mais representados neste. Podemos observar muitas das suas obras na Sala dos Fornos.
A
obra Concerto de Amadores acabou recentemente de ser restaurada,
conseguindo-se agora observar detalhes anteriormente impossíveis de discernir a
olho nu devido ao envelhecimento do verniz e pelo facto do próprio quadro ser
muito escuro, uma escolha frequente do artista. Alguns desses detalhes são mais
notáveis nas faces dos indivíduos representados e no vestido branco da senhora.
Outros menos notáveis e que por essa razão transmitem a necessidade do restauro,
são a cadeira que é agora muito mais visível e também as roupas do homem
sentado ao piano.
Concerto de Amadores, 1882, Columbano Bordalo Pinheiro, óleo sobre tela, 220 cm x 300 cm
Outra pintura pelo mesmo autor que se encontra agora também em restauro é O Grupo do Leão, onde estão retratados artistas, pintores da primeira geração naturalista. O grupo é representado à volta de uma mesa do que era anteriormente a cervejaria Leão de Ouro, em Lisboa. A disposição das figuras oferece ao observador a ideia de um momento parado no tempo, como se tivesse solicitado a atenção das pessoas à sua frente e de seguida tirado uma fotografia. Numa das visitas que foram feitas, o quadro encontrava-se virado ao contrário, o que oferece ao visitante uma perspetiva diferente e até engraçada da obra, estando as figuras agora de “pernas para o ar”.
O Grupo
do Leão, 1885, Columbano Bordalo Pinheiro, óleo sobre tela, 201 cm x 376 cm
Uma
outra obra que despertou interesse foi Cinco artistas em Sintra, onde
podemos ver representados no meio natural, os artistas portugueses a recriar paisagens
naturais portuguesas através da pintura. Os habitantes da região estão incluídos
no quadro como se estes fizessem parte do grupo, observando os artistas durante
o seu trabalho. Curiosamente, apenas os artistas e a mulher, que faz parte do
grupo de habitantes, olham na direção do quadro, como se fosse possível estarem
também eles a observar o seu observador.
Cinco artistas em Sintra, 1855, Cristino da Silva, óleo sobre tela, 87 cm x 129 cm